Chegada da nova estação deve aquecer vendas em setembro

Os comerciantes de Curitiba esperam um aumento de 12% nas vendas do mês de setembro, em comparação ao que foi vendido no mesmo mês do ano passado. O otimismo é justificado principalmente pela entrada das temperaturas mais quentes e pela chegada de novas coleções, revela pesquisa ACP/Datacenso, divulgada nesta quarta-feira (14).

Depois de uma queda de 2% nas vendas do varejo, em agosto, (comparando-se ao mesmo mês do ano passado), o entusiasmo dos lojistas se dá, também, em função da proximidade com o final de ano e entrada da primeira parcela do 13º salário. A pesquisa ouviu 200 comerciantes e 200 consumidores entre os dias 29 de agosto e 3 de setembro, com margem de erro de 7%.

No mês de agosto, o Índice de Confiança do Empresário de Curitiba (ICECC), apresentado pelos Índices de Situação Presente do Comerciante Curitibano (ISPCC) e de Expectativas Futuras do (IEFCC), alcançou 142 pontos numa escala de 0 a 200, o que mostra crescimento de nove pontos em relação ao indicador de julho.

Para este mês, porém, o Índice de Situação Presente do Comerciante Curitibano (ISPCC), que avalia o estado de entusiasmo dos lojistas em relação aos próximos 30 dias, ficou em 132 pontos, quatro a mais do que os 128 pontos do mês de agosto.

Consumo

De agosto para setembro, a taxa média de inadimplência entre os consumidores apresentou leve oscilação e subiu de 8 para 9%. A pesquisa conjuntural dá conta, no entanto, que os compradores estão mais cautelosos com relação às compras. Em agosto, por exemplo, a forma mais utilizada de pagamento foi à vista em dinheiro (41%), seguida pelo parcelamento no cartão de crédito (36%).

Essa sensação de insegurança influencia diretamente as atividades varejistas, e pode ser ter sido uma das principais responsáveis pela queda nas vendas, em agosto. Nesse contexto, o “pé no freio” é explicado pelo assessor econômico da ACP, Maurílio Schmitt, como reflexo da atual situação financeira dos consumidores. Segundo ele, a inadimplência tem crescido, pois o endividamento expande-se a um ritmo mais acelerado do que as remunerações chegam ao bolso dos consumidores para pagar suas dívidas. “A equação é simples: o consumo, há muitos anos, vem sendo estimulado mediante a concessão de crédito farto. O consumidor compromete sua renda futura, que ainda é incerta, pelo prazer de desfrutar de um bem no presente. Daí porque a necessidade de ser criterioso e seletivo nas aquisições”, afirmou ele.

Ainda de acordo com o economista, o crédito para pessoas físicas cresceu 26,14% no acumulado dos últimos doze meses. A renda disponível aos consumidores (medida pela expansão da massa nominal de salários), entretanto, cresceu apenas 12,87%.