Comércio espera melhor Natal da década

Fonte: Gazeta do Povo – publicado em 22/12/2010

Caminhar pelas ruas do centro e pelos corredores dos shoppings de Curitiba não tem sido tarefa fácil. Às vésperas do Natal, a enorme quantidade de consumidores à procura de presentes transforma os centros e áreas comerciais. A expectativa dos lojistas é de que o movimento continue intenso também nos próximos dias, para as tão brasileiras compras de última hora. De acordo com pesquisas feitas com os comerciantes, esse deverá ser o melhor Natal da década.

Nas lojas de rua, a previsão é o aumento de 15% nas vendas neste fim de ano em relação ao mesmo período de 2009, segundo a Associação Comercial do Paraná (ACP). O otimismo do comércio se baseia na estabilidade da economia, na facilidade de crédito e no 13.º salário no bolso da maioria dos brasileiros.

Entusiasmo

Gasto médio nos shoppings chega a R$ 1,4 mil
O movimento nos shoppings da cidade também tem deixado os lojistas otimistas. De acordo com dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), somente nos últimos três dias houve crescimento de 20% no público, resultando em avanço de 15% nas vendas.

No Shopping Mueller, a expectativa é o aumento de 17% nas vendas de Natal em relação a 2009. Faltando três dias para a festa, o índice está em 15%. “O fluxo no último sábado foi de mais de 60 mil visitantes, 50% maior que nos fins de semana comuns”, diz a coordenadora de marketing do shopping, Adriana Cardoso. O empreendimento tem registrado tíquete médio de gastos de R$ 800.
No ParkShopping Barigüi, os 75 mil panetones da promoção acabaram, resultado das mais de 137 mil pessoas que trocaram suas notas fiscais – cada participante da promoção gastou em média R$ 1,4 mil. Somente no último domingo 4 mil latas foram distribuídas, e o movimento está 40% maior em relação ao Natal de 2009. (CGF)

Para quem não tem escolha, o jeito é encarar o empurra-empurra e o tumulto nas lojas de forma bem-humorada. A família Esteves resolveu fazer as compras em grupo. “Dessa forma nos distraímos. Além disso, uma ajuda a outra na hora da escolha do presente”, afirma a aposentada Carmita Apare¬cida Esteves. Acompanhada da mãe, Maria Aparecida, e da filha Débora, Carmita gastou R$ 408 na compra de um aspirador e de um ferro de passar para presentear a irmã. “Também ganhei um ferro de passar da minha mãe”, comemora.

Já Débora aguarda ansiosa o presente de Natal. A auxiliar de produção fotográfica escolheu uma máquina digital para usar nas viagens. “Quando ganhar a minha não vou precisar mais pedir emprestado para amigos”, afirma. “Ela vai ganhar a máquina. Só precisamos procurar um pouco mais porque existe muita diferença de preço entre as lojas”, complementa Carmita.

Chuva

Reclamação de um lado, comemoração de outro. Na loja Casa Top, especializada em brinquedos, os corredores cheios e a longa fila no caixa são sinais de que o movimento melhorou após uma semana fraca. “Por causa da chuva na semana passada, o movimento estava meio parado. Agora está melhorando e aguardamos ainda mais nos próximos dias”, afirma a gerente, Vanessa da Silva Rodri¬gues. Diante da expectativa, a loja ficará aberta até o fim do dia 24.

Na Grue Chocolateria, o grande movimento fez com que a proprietária, Polyana Rodrigues, convocasse os familiares para trabalhar. “O movimento da semana passada foi menor por causa da chuva. Nesta semana já está bom. Chamei uma prima e uma amiga para ajudarem, além da minha mãe, que já dá uma mão normalmente”, explica. Como nos anos anteriores, Polyana retirou as máquinas de café da loja e abriu espaço para expor mais produtos. “A expectativa é de grande movimento nesses três últimos dias. Contando com isso, aumentamos a nossa produção para não faltar produto”, afirma.

Em um dos endereços da Multiloja, os televisores LCD, computadores e telefones celulares farão a loja atingir a meta estabelecida pela rede. “A previsão da rede é o aumento de 12% nas vendas, meta que conseguiremos alcançar. O movimento está bom. Ainda assim, esperamos aumento nos negócios na reta final, principalmente de produtos de pronta entrega, coisas que as pessoas possam levar para casa na hora”, comemora o gerente William Robson Marchetti. Ainda segundo ele, o tíquete médio da loja é de RS 400.

A garçonete Daniela Batista usou parte significativa do 13.º salário dela e do marido para adquirir um computador para o filho mais velho. “Esse foi o presente que ele pediu. Tivemos de nos programar e vamos começar o ano sem dívidas”, diz. A peregrinação natalina de Daniela vai continuar nos próximos dias. Apesar de ter comprado o presente do marido, do filho mais velho e dos amigos secretos da família, ela ainda precisa encontrar o do filho mais novo. “Ainda estou procurando um lugar para comprar o dele. O pior é que está ruim de caminhar. As lojas estão todas lotadas”, lamenta.