Dia de conscientização marca luta contra carga tributária brasileira

Jovens empresários de todo país mobilizaram 122 cidades, no sábado, para conscientizar população sobre o peso dos impostos. Arrecadação já passou do R$1 trilhão só neste ano.

Quem passou pelo calçadão da Rua XV de Novembro, no centro de Curitiba, sábado (17), pode ter noção do peso que os impostos têm no bolso do consumidor e quão mais baratos seriam os produtos comprados diariamente, não fosse a densa carga tributária que incide sobre eles. Com duas tendas montadas – uma em frente à sede da Associação Comercial do Paraná (ACP) e outra na Boca Maldita – membros do Conselho de Jovens Empresários (CJE) da entidade mostraram à população que 43% do que é pago na água mineral ou 21% do preço da banana, por exemplo, ficam para o governo.

A informação preocupou muitos consumidores. A babá Raquel Rodrigues ficou surpresa ao saber da quantidade de impostos paga sobre os serviços de primeira necessidade, como o de energia elétrica. “Não sabia que era tanto imposto. Na verdade é só na conta de luz, que aparece escrito o valor, que a gente vê que paga muito mais do que consome”, disse ela. As taxas cobradas sobre os itens de alimentação, como frutas, verduras e grãos, também desagradaram à consumidora. “O arroz e o feijão não poderiam ter tantos impostos, não é certo”, afirmou.

A cobrança pode ser ainda maior em produtos como bebidas alcoólicas e vídeo-games. A tradicional cachaça leva 81% de impostos, enquanto a carga sobre os consoles de jogos eletrônicos passa dos 72%. É o mesmo que dizer que um vídeo game que custa, hoje, R$ 1.600,00 poderia ser vendido por R$ 446,00.

Conforme explicou o coordenador do CJE, Monroe Olsen, o principal objetivo da ação, que já ocorre há cinco anos em Curitiba, é estimular os consumidores a exigir dos agentes públicos a correta destinação dos recursos arrecadados. “O intuito é prestar esclarecimento à população e municiá-la com informações sobre a injustiça fiscal que se sucede no país. Devemos exigir dos representantes públicos não uma reforma tributária, mas uma simplificação ou redução desses impostos absurdos”. Ainda segundo o coordenador, leis que obrigam os comerciantes a divulgarem a taxa de impostos nos produtos poderão ser impossíveis de aplicar, caso não haja uma simplificação no sistema tributário brasileiro. “Existe atualmente mais de 80 contribuições recolhidas por comerciantes e empresários, o que tornaria inviável para cada um divulgar os impostos recolhidos em cada produto”, defendeu Olsen.

O presidente da ACP, Edson Ramon, lembrou que os impostos corresponderam, em 2010, a mais de 33% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, enquanto os investimentos públicos não apareceram. Segundo ele, “estamos em crise moral e ética, por isso a importância do engajamento de todos para conseguirmos a redução dessa pesada carga”, argumentou.

Mobilização

Ações como essa da Rua XV ocorreram em outros oito bairros da cidade e em 27 municípios do estado, promovidas pelos jovens empresários da ACP, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). No Brasil, 122 cidades aderiram, neste ano, ao Feirão e o Paraná foi o estado com mais cidades mobilizadas passando, inclusive, do precursor do evento, Santa Catarina.