É hora de propor o futuro – Edson José Ramon *

Pesa sobre os ombros dos candidatos em quem votaremos para governador do Paraná, no próximo dia 3, um vital compromisso para as melhorias econômicas e, consequentemente, sociais de nosso Estado: a inquestionável necessidade de carrearmos recursos para se melhorar a infraestrutura em nosso território de forma urgente e eficiente. Não nos compete, em uma hora de tamanha responsabilidade como a que se afigura, julgar o passado, mas propor o futuro. E devemos, desde já, cobrar do próximo governador paranaense, seja ele quem for, o cumprimento deste compromisso.

O Paraná, infelizmente, não é diferente do Brasil em se tratando de carência em sua infraestrutura, especialmente em relação às suas estradas, portos, aeroportos e ferrovias, com a única exceção no setor de energia. A qualidade da infraestrutura brasileira é uma das piores do mundo, segundo um estudo técnico recentemente divulgado. Comparado a 20 países com os quais concorre no mercado, nosso país ficou em 17º lugar na qualidade geral de infraestrutura. A distância que separa o Brasil de outros países é quilométrica, mesmo com os investimentos realizados nos últimos anos. Em limites paranaenses é ainda pior, porque especialistas entendem que há quase vinte anos os investimentos são insuficientes, assim como a elaboração de projetos estratégicos diante da demanda.

Repito: é hora de propor o futuro. O Estado, apesar de sua responsabilidade, não pode e nem deve despender recursos só para a infraestrutura porque seu trabalho se estende a inúmeros setores fundamentais, como a saúde, educação, moradia, segurança etc. Mas, é preciso, com cuidado extremo e preocupação com o presente e o futuro da população, associar necessidades e prioridades. O governo pode e deve provocar uma sintonia fina com o capital privado para que haja condições de se elaborar e consolidar planos diretores, projetos estratégicos a curto, médio e longo prazo. Com um bom planejamento no setor, também inexistente nos últimos anos, segundo especialistas, será possível estabelecer uma maior sinergia entre o capital público e o privado para a reabilitação da infraestrutura do Estado. Esta composição é de fundamental importância para investimentos em rodovias, portos, aeroportos, ferrovias, que, todos sabemos, são extremamente necessários para irrigar nossa economia. Sem isto, será muito difícil chegarmos, com agilidade e presteza, a um processo de superação dos gargalos que emperram nosso crescimento, de superação dos bloqueios da modernização, de derrubada dos muros ao pleno desenvolvimento de todas as regiões paranaenses.

Mesmo com toda sua enorme parcela de contribuição à economia da Federação e sua forte potencialidade econômica, os recursos federais recebidos pelo Paraná estão muito aquém do que se pode entender como justos. Somos o maior produtor de grãos do país, com 32 milhões de toneladas, que representam 22% da produção brasileira, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, e não podemos permitir que esta hegemonia seja ameaçada ou se deteriore pela carência de infraestrutura. O processo produtivo não pode nunca ser prejudicado.

O próximo governador terá que ter liderança efetiva para ser catalisador das forças da sociedade, entre elas a política. Ele terá que ter a capacidade de conjugar o capital público e privado, auxiliado pela bancada paranaense em Brasília, no sentido de reivindicar recursos federais, além da utilização dos estaduais, para que o efeito seja altamente promissor, com a realização de obras estruturais e estratégicas. A sinergia entre o capital público e privado é possível e necessária. Quem pede o nosso voto, a cargos majoritários ou proporcionais, deve se comprometer com as necessidades e prioridades de nosso Estado.

 

* Empresário, presidente da Associação Comercial do Paraná