Fusão Pão de Açúcar-Carrefour gerará desemprego, afirma presidente interino da ACP

“Não será benéfica ao Brasil, tanto que vai gerar desemprego.” A avaliação é do presidente interino da Associação Comercial do Paraná (ACP), Sinval Zaidan Lobato Machado, ao falar a respeito da possível fusão entre o Pão de Açúcar e o Carrefour, com a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de sua empresa de participações, a BNDESPar. Segundo ele, para começar, o negócio implica na concentração das áreas administrativas das duas empresas em uma só. “A redução do número de funcionários começa por aí”, analisou.  

Machado disse ainda que torce para que o negócio não se concretize, o que evitará prejuízos ao país. É que a proposta da fusão entre as lojas do Carrefour no Brasil e o Pão de Açúcar prevê investimentos de 1,7 bilhão de euros do BNDESPar e de 300 milhões de euros do BTG Pactual, que também assume um passivo de 500 milhões de euros da rede francesa no Brasil, segundo informações de mercado. Ocorre que o BNDES já revelou a intenção de desembolsar outros R$ 4,5 bilhões para participar da sociedade, desde que a questão não gere demandas judiciais. 

Mas, na quarta-feira (6), o presidente do grupo de supermercados francês Casino, Jean-Charles Naouri, que divide o controle da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD)-Pão de Açúcar com Abílio Diniz, por meio da holding Wilkes, avisou, pela imprensa, que não concorda com o negócio. E anunciou que o Casino, que pretende assumir o controle da empresa brasileira em 2012, vai recorrer a uma arbitragem internacional para evitar a continuidade das negociações. Diniz, no entanto, adiantou que o conselho de administração da Wilkes já foi convocado para discutir a questão no dia 2 de agosto. 

Machado argumenta que se o negócio é tão bom para as empresas, o correto seria um banco francês investir na fusão. “Em vez de querer participar de um empreendimento dessa natureza, o BNDES deveria se preocupar em investir mais nas micro e pequenas empresas  brasileiras, que, certamente, contribuirão para o aumento do número de empregos no Brasil”, acrescentou. 

Créditos: Felipe Rosa