IMPOSTÔMETRO DA ACP MOSTRA QUE ARRECADAÇÃO CHEGA A 1,51 TRILHÃO

Carga tributária custou R$ 7.789,64 a cada cidadão brasileiro

Os números frios, mas de grandeza astronômica, mais uma vez demonstram a celeridade implacável da máquina arrecadadora dos três níveis de governo (União, estados e municípios) que até a virada do ano, na soma de impostos, tributos, contribuições, juros e multas, transferiu para os cofres públicos a cifra recorde de R$ 1,51 trilhão.

O cenário estará visível por volta das 17 horas desta quinta-feira (29), quando o impostômetro da fachada do prédio da Associação Comercial do Paraná (ACP), na esquina das ruas XV de Novembro e Presidente Faria, atingirá a marca de R$ 1,5 trilhão de arrecadação desde o dia 1º de janeiro. 

Em relação à soma arrecadada no exercício passado (R$ 1,29 trilhão), o aumento foi de 17,1%, registrando aumento real de 11%, descontada a inflação de 6,5% na comparação com 2010.

O impostômetro foi inaugurado em 2005 pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), num ponto bastante movimentado da área central da capital paulistana. No mesmo ano, foi feita a instalação de aparelho eletrônico similar na ACP. No final de 2005, o total dos impostos chegou a R$ 773 bilhões. Decorridos apenas seis anos, a cifra pulou para R$ 1,51 trilhão.

Segundo cálculos feitos pela ACSP e pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), cada cidadão brasileiro contribuiu esse ano com R$ 7.789,64 de sua renda pessoal para a formação do estonteante bolo tributário, que continua sendo um dos maiores do planeta. Essa realidade amarga para a população, que infelizmente não recebe a justa contrapartida na eficiência dos serviços públicos de atendimento à saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e outros gastos sociais, pode ser avaliada no fato de que a cada hora, o sistema de arrecadação dos governos acusa o recebimento de R$ 172 milhões; a cada minuto, R$ 2.886 milhões e, a cada segundo, R$ 47 mil.

Para se ter uma pálida ideia do que a administração pública poderia construir com a arrecadação desse ano, basta lembrar que a rede de saneamento básico (tratamento de esgoto), que atualmente beneficia apenas 50% da população, poderia ser aumentada em 16,3 mil quilômetros de extensão.