Inadimplência exige atenção em 2012

Consultor diz que situação não é desesperadora

Uma análise de Breno Costa, sócio-consultor da GoOn, com atuação no mercado paulista, enfatiza que o crescimento dos índices de inadimplência requerem um cenário de atenção e não de desespero nos próximos meses. “O crescimento da inadimplência em 2011 é fato indiscutível com a piora de todos os produtos, com exceção do imobiliário”, lembrou.

O executivo pontuou algumas justificativas como o aumento de juros e do endividamento das famílias, a entrada de novos consumidores no mercado de crédito e, finalmente, as medidas macroprudenciais, como agravantes do ciclo que se expandiu no ano passado.

Entretanto, Breno recomendou um exame mais profundo das alternativas citadas, sobretudo em relação aos efeitos que causaram. “Elas restringiram o crédito de longo prazo, afetando diretamente o crédito para veículos e o empréstimo consignado. Ao afetar o consignado, a roda viva do crédito foi desacelerada. Chame-se roda viva do crédito o famoso endividamento no cartão de crédito e no cheque especial (portas de entrada), que são quitados por sua vez quando o consumidor contrata um crédito pessoal de longo prazo e, dessa forma, reestrutura sua dívida”, informou.

Para corroborar a tese, Breno salienta o fato do crescimento expressivo das carteiras de cartão de crédito e cheque especial, “uma vez que os clientes não conseguiram um crédito de prazo mais longo e juros menores”.

O executivo acredita que a revogação de boa parte das medidas macroprudenciais fará a chamada roda viva voltar à situação de 2010: “Dessa forma, a perspectiva de retorno do crescimento nos créditos consignados nos faz crer em uma trajetória de recuperação da inadimplência”.