Jovens querem entender e participar do Brasil do futuro

Evento reuniu em Curitiba empreendedores da região Sul

Promovido em conjunto pela Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje) e Conselho de Jovens Empresários (CJE) da Associação Comercial do Paraná, com patrocinadores nacionais e regionais, o Líder Sul, maior evento brasileiro de jovens empreendedores, abrangendo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, foi realizado no último dia 16 de março em Curitiba, no auditório do Museu Oscar Niemeyer, mais conhecido como Museu do Olho.

Sob o lema “Do Brasil que temos, para o Brasil que queremos”, o encontro teve como conferencistas Ozires Silva, primeiro presidente da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e membro da equipe que construiu “a martelo” o Bandeirante, primeiro avião fabricado no Brasil e Mário Gazin, presidente do Grupo Gazin, rede de varejo e atacado com cerca de 200 filiais em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre. Participaram também como debatedores os empresários Benyamin Fard (Biovita), Roberto Argenta (Calçados Beira Rio) e o executivo Yoshio Kawakami (Volvo Construction Equipment Latin America).

Na abertura do evento, o presidente da ACP, Edson José Ramon ressaltou “a oportunidade dos jovens empresários de exercitar o diálogo em busca de novas oportunidades e espelhar-se na experiência de vencedores como Ozires Silva e Mário Gazin, ilustres cidadãos que encheriam de orgulho qualquer país em que tivessem nascido”.

O presidente do CJE, Monroe Olsen, também fez uma saudação aos participantes, lembrando o esforço feito para a realização do Líder Sul e Marduk Duarte, presidente da Conaje, agradeceu a presença de delegados de 20 estados da Federação, representando jovens empresários que querem contribuir para a construção “de um Brasil mais livre e justo”.

Desafios e oportunidades globais

O grande entusiasta da aviação brasileira, Ozires Silva, que falou sobre expectativas de futuro lembrou que “no ocaso da vida ainda não consegui ver o Brasil com o qual sempre sonhei e que ainda não é o que deveria ser”. Nesse aspecto conclamou os jovens empreendedores a enfrentar os desafios com a convicção “que a jornada será muito bonita e que os esforçados serão vitoriosos”.

O engenheiro formado e, mais tarde, professor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), o mais importante centro formador de engenheiros do País lembrou que nos últimos 40 anos “mudanças essenciais ocorreram no mundo alterando nossa maneira de viver”, demonstrando que “no século XXI a aceleração do desenvolvimento será mais intensa, estimulando-nos a aproveitar o momento atual para construir o futuro”.

Reconhecendo que assim como a globalização é uma realidade, Ozires citou o exemplo da China para enfatizar que “os desafios e oportunidades também serão globais”. A China vende seus produtos no Brasil, “mas os nossos produtos ainda não são vistos por lá e não podemos ficar fora desse cenário, da mesma forma que devemos desbravar outros mercados ainda fechados para nós”.

Com visão realista, Ozires enunciou a tese geopolítica da união de forças dos governos e iniciativa privada para chamar a atenção do mundo para o potencial da América do Sul, lembrando a necessidade de revisão da desregulamentação excessiva a fim de aumentar o índice de participação de nossos empresários na competição sistêmica mundial, mais uma vez citando os exemplos da China e Coréia do Sul.

Lembrando a participação na equipe que criou a Embraer e construiu o protótipo do Bandeirante, em São José dos Campos (SP), Ozires afirmou com voz embargada que, atualmente, aeronaves fabricadas pela antiga estatal privatizada por capitais nacionais, operam em tráfego comercial em mais de 90 países. Em contraponto, sublinhou que no Brasil de 2012 apenas 60 cidades são servidas pela aviação comercial. Nos Estados Unidos estão em operação 1,7 mil aviões fabricados pela Embraer, ao passo que no Brasil existem apenas 28. Ozires informou também que a Embraer não participa do projeto de compra de jatos supersônicos pelo Ministério da Aeronáutica.

Ao concluir a alocução, aplaudido de pé, Ozires Silva sublinhou que as responsabilidades pessoais não devem ser transferidas para terceiros, receitando a necessidade de paixão para fazer e avançar: “É possível. Nós somos capazes. Com conhecimento e trabalho árduo chegaremos lá”.