Juiz fala ao CJE sobre os 25 anos da Constituição Federal

Campanha das Diretas Já foi iniciada no Paraná

O juiz federal Friedmann Anderson Wendpap foi convidado pelo Conselho de Jovens Empresários (CJE), da Associação Comercial do Paraná (ACP), para expor uma série de ideias sobre a comemoração dos 25 anos da promulgação da Constituição Federal em outubro de 1988. O encontro se deu nesta quarta-feira (28), sob a coordenação do vice-presidente Henrique Domakoski.

Wendpap informou aos participantes que o último grande movimento de massa no Brasil foi a campanha das Diretas Já, pela aprovação da emenda Dante de Oliveira, restabelecendo a escolha do presidente da República pelo voto direto. A emenda foi rejeitada pelo Congresso Nacional, mas acabou abrindo um espaço político que ensejou a convocação da Assembleia Nacional Constituinte e, na seqüencia a esperada abertura democrática.

Segundo ele, é importante conscientizar a sociedade paranaense da importância das Diretas Já para o aperfeiçoamento do processo político do país e, ao mesmo tempo enfatizar que a campanha nasceu no Paraná, “a partir da sugestão feita pelo então senador Afonso Camargo Neto ao deputado Ulysses Guimarães, na época, presidente nacional do PMDB”. Citou também o grande esforço realizado pelo senador Álvaro Dias, então presidente do diretório regional do partido, da mesma forma que o governador José Richa.

A campanha propriamente dita foi produzida pelos publicitários Ernani Buckmann e Ubiratan Menezes, da agência curitibana Exclam, que logo tornaria de conhecimento nacional o slogan “Eu quero votar para presidente” e a escolha do amarelo como cor simbólica do movimento.  Wendpap lembrou que na época o político filipino Benigno Aquino, depois de vários anos no exílio anunciou que voltaria a Manila. A polícia do ditador Ferdinando Marcos recebeu ordens para eliminar o opositor no momento em que estivesse descendo as escadas do avião, “e foi exatamente isto que aconteceu”, disse o juiz federal.

Segundo ele, na manhã seguinte, a população de Manila em protesto vestiu-se de amarelo, devido a grande influência do catolicismo no país (o amarelo é a cor oficial do Vaticano). “Daí surgiu a ideia de adotar o amarelo como símbolo da campanha das Diretas Já, com a aquisição imediata de milhares de camisetas de conhecida indústria catarinense”.

A ideia básica transmitida pelo juiz Friedmann Wendpap é que no dia 11 de janeiro do próximo ano, assinalando a data do primeiro comício das Diretas na Boca Maldita, ao qual se seguiram 40 em várias cidades, além de se tornar fenômeno nacional, será aberta nas dependências da Justiça Federal uma exposição de fotos e outros objetos da época. A exposição deverá permanecer no local até 22 de fevereiro, tornando-se itinerante após essa data, podendo ser levada a outras cidades ou estados.