Mulheres negociam dívidas mais que os homens

Segundo pesquisa da ACP, 47% das entrevistadas são chefes de família. Quase metade dos consumidores possui mais de um registro

O recente mutirão Acertando suas Contas, realizado em Curitiba entre os dias 15 a 30 de outubro passado, numa parceria da Associação Comercial do Paraná (ACP), Boa Vista Serviços e várias empresas, bancos e financeiras, catalogou exatas 20.274 consultas de parte de consumidores inadimplentes, dentre os quais houve predominância absoluta do sexo feminino (68%). De acordo com a pesquisa, 76% dos entrevistados têm responsabilidades de chefe de família, condição assumida por 47% das mulheres entrevistadas.

A maioria (56,4%) procurou o mutirão para providenciar o acerto de uma dívida, mas houve interessados (11%) acusando mais de quatro dívidas acumuladas em cartões de crédito, cartões de loja, cheques, empréstimo pessoal, boletos ou outras formas de pagamento. No encerramento do mutirão, o expressivo percentual de 81,5% dos entrevistados se declarou plenamente satisfeito com a negociação direta com os credores (HSBC, Santander, Coopercred, Credipar, Senff, Multiloja, Uniodonto e outros).

Dentre as vantagens oferecidas aos clientes pelas empresas credoras se destacaram a ampliação do parcelamento, redução de juros ou descontos para pagamento à vista.
A análise das informações obtidas por meio de entrevistas pessoais com 280 consumidores durante o mutirão mostrou que a publicidade em televisão motivou 47% dos interessados em acertar pendências financeiras com fornecedores, a procurar o posto de atendimento localizado nas dependências da própria ACP.

A presença maciça de mulheres nas filas que se estendiam pelas ruas XV de Novembro e Presidente Faria, nas proximidades da sede da entidade, também se deveu ao fato do atendimento ocorrer em dias úteis e horário comercial, dificultando a procura por parte de homens. Entretanto, pesquisas anteriores já haviam detectado que o homem é “pior” pagador que a mulher, embora em percentuais bem mais próximos.

Faixa etária

A faixa etária dos inadimplentes variou de 20 a 25 anos (15%), 26 a 30 anos (18%) e 31 a 35 anos (25%), a maior incidência de devedores, caindo a níveis bastante reduzidos entre consumidores de 41 a mais de 60 anos. Notou-se que a maioria dos consumidores (59%) tem entre 20 e 35 anos, sendo a faixa etária mais exposta ao risco da inadimplência. Quanto à escolaridade, 44% declararam ter completado o ensino médio e 10% o ensino superior. Apenas 1% declarou possuir nenhum grau de escolaridade.

A pesquisa verificou também que no perfil socioeconômico, as famílias têm acesso a televisão a cores (38%), banheiros (80%) rádio (58%) e pelo menos um automóvel (56%). A posse desse bem não apareceu nas declarações de 37% dos entrevistados, embora 6% possuam dois carros. Tendo em vista que a inadimplência acaba pegando todas as classes sociais, pouco mais de meio ponto percentual de entrevistados revelou a propriedade de três carros e reduzidos 0,36% quatro ou mais veículos automotores.

Renda pessoal e familiar

Mais da metade dos inadimplentes (51,5%) trabalha em empresas privadas, ao passo que 15,4% afirmaram trabalhar como autônomos e 7% em empresas públicas. Apenas 5% estavam desempregados por ocasião da pesquisa, 8,5% eram aposentados e 2,5% simplesmente não tinham nenhuma ocupação. O mercado formal do trabalho absorvia 76% dos consulentes, restando 24% para a informalidade.

Quanto à renda pessoal, 41% ganhavam entre R$ 622 a R$ 1.244 e 30% entre R$ 1.244 e R$ 1.866, caracterizando-se o grupo como integrante da classe D. Na classe E, cuja média de rendimento pessoal é de R$ 622, situavam-se cerca de 10% dos inadimplentes, revelando que ambos os estratos populacionais estão tendo acesso ao crédito. No item renda familiar 22,7% ganhavam de R$ 1.244 a R$ 1.866, 23,5% de R$ 1.866 a R$ 2.488 e 24% de R$ 2.488 a R$ 2.488 a R$ 3.110.