Novo mínimo deve impulsionar comércio em 2012

Expectativa da CNDL é que comércio cresça de 4,5 a 5% por conta do reajuste no benefício

O aumento de R$ 77 no salário mínimo nacional, que passou de R$ 545 para R$ 622, no dia 1º, deve repercutir principalmente no comércio durante este ano, proporcionando um crescimento entre 4,5 e 5% sobre as vendas de 2011, conforme estima a Câmara Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).  Se confirmada, a expansão será maior do que a de outros setores de atividade e também ficará acima do crescimento geral do País, previsto entre um intervalo de 3 a 3,5% em relação ao ano passado. ”O comércio deve puxar a economia em 2012”, disse nesta segunda-feira (2) o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Júnior, à Agência Estado.

A notícia é positiva principalmente para os lojistas brasileiros, que viram suas expectativas ficarem aquém no Natal passado. Em Curitiba, o crescimento na comparação com 2011 chegou a apenas 6 dos 10% previstos, mas a média nacional ficou em 2,8%. Na avaliação do consultor econômico da Associação Comercial do Paraná (ACP), Cláudio Shimoyama, o impacto do aumento do salário mínimo será fundamental para o desempenho diferenciado do comércio em 2012. ”A partir de fevereiro, veremos o resultado do aumento do salário mínimo. Acreditamos que boa parte do dinheiro vai para o comércio. O dinheiro vai circular”, disse ele. O aumento do mínimo também deve elevar também, na opinião do consultor, o sentimento de compra do consumidor.O principal fator para essa confiança é a evolução do poder aquisitivo das classes C e D no ano passado.

Já de acordo com os cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o aumento de 14,13% no benefício vai injetar R$ 47 bilhões na economia brasileira. Descontada a inflação estimada para 2011 (6,5%), o aumento real do salário mínimo deve ficar em 9,2%. Ainda segundo o Dieese, cerca de 48 milhões de pessoas têm sua renda vinculada ao valor do salário mínimo e, portanto, serão diretamente beneficiadas com o aumento. Com o crescimento do consumo causado pelo reajuste, o governo também passará a arrecadar R$ 22,9 bilhões a mais.

O método de reajuste foi definido por meio de uma medida provisória aprovada pelo Congresso, que estabelece que o valor seja mexido, até 2015, com base no índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.