Os perigos reais do mundo virtual

Com a autoridade de quem já solucionou mais de 700 casos de crimes digitais em 12 anos, Wanderson Castilho,  físico e perito em crimes eletrônicos, alertou principalmente os pais para os riscos da liberação do uso da internet para os filhos. Segundo ele, os casos de crimes cibernéticos já se tornaram corriqueiros. “É preciso monitorar os filhos quanto ao uso da internet, evitando que se exponham aos perigos representados por usuários criminosos da rede. Antigamente, nossos pais impunham limites visando à nossa proteção. Hoje isso deve ocorrer também, pois as crianças não têm malícia e nem ideia da consequência da má utilização dessa tecnologia”, advertiu.

Durante palestra promovida pelo Conselho da Mulher Executiva (CME), quer reuniu cerca de 50 empresárias e convidados na Associação Comercial do Paraná (ACP), no início da noite desta quarta-feira (14), Castilho lembrou que “tudo hoje está computadorizado. E não há como fugir disso”, deixando claro que todos, da criança aos empresários e até mesmo governos, indistintamente, estão vulneráveis a quem deseja fazer o mal, utilizando os recursos virtuais. Mesmo considerando um avanço a Lei 16.241/2009, que obriga a identificação de usuários de lan house no Paraná, ele disse que os crimes cibernéticos precisam de legislação específica para serem punidos com rigor.

O perito esclareceu que a maioria dos crimes cometidos pela internet no Brasil é contra a honra e imagem das pessoas. “Ocorre que o mundo físico e o virtual são idênticos. A ponto de, apesar de não constar na legislação brasileira, haver até estupro virtual, que se enquadra como pedofilia”, disse, ao acrescentar que a elucidação desses crimes não é tão difícil, porque “no mundo virtual é mais fácil conseguir pistas do que no físico: os computadores não mentem, ao conversar entre si. E dá para recuperar tudo”, ilustrou.