Pesar pela morte de Maria Christina

Dona de um vasto curriculum, a ex-presidente da ACP deixa legado de sucesso nos mais variados setores em que atuou.

Aos 60 anos de idade, Maria Christina de Andrade Vieira morreu no início da tarde desta quinta-feira (2), em Curitiba. Apesar de acometida por um câncer, contra o qual lutava há quatro anos, nunca esmoreceu, tanto que se manteve ativa até há pouco tempo à frente da Fundação Cultural de Curitiba.

Uma peculiaridade que sempre gostava de citar, era a de que “eu fui a primeira mulher em muita coisa”, ao se referir aos cargos que ocupou a partir do momento em que assumiu a presidência da Associação Comercial do Paraná (ACP), em 1992, para uma gestão de dois anos. Sempre de bom-humor, lembrava ter sido a primeira mulher a participar do conselho da Federação das Associações Comerciais do Paraná, a atual Faciap, e também a primeira fora de  São Paulo, a integrar o conselho do Instituto de Organização Racional do  Trabalho (Idort/SP), assim como  a primeira no Instituto Liberal, que, segundo ela, agregava as grandes Federações do Paraná. “Então, foi uma linha divisória, que marcou o início da mulher participando de cargos de liderança”, dizia. 

Ao decretar luto oficial de três dias na entidade pelo  falecimento de Maria Christina, o presidente da ACP, Edson José Ramon, disse que as marcas da atuação dela já estão gravadas na história da entidade.  “É com muita tristeza que nos despedimos de nossa amiga, guerreira e inspiradora. Como primeira mulher a presidir nossa entidade, deixou sua marca de liderança, luta, tenacidade e companheirismo. Seus projetos e suas ações, refletem-se até os dias de hoje, inspirando-nos e estimulando-nos a continuar nossa empreitada de construção de uma sociedade melhor”, afirmou.

Sempre muito dinâmica, entre outras iniciativas visando ao fortalecimento institucional da entidade, Maria Christina criou o Conselho Político. Ela ainda visitou entidades comerciais de boa parte dos estados brasileiros, sobretudo, nos grandes centros, para proferir palestras e divulgar a entidade. Sua intenção era que a ACP fosse o primeiro nome a ser lembrado por empresários ou políticos que viessem a Curitiba. Atualmente, fazia parte do Conselho Superior da entidade e do Conselho Editorial da Revista do Comércio.  Foi diretora de Infraestrutura do Banco Bamerindus.

Também foi professora de filosofia, escritora e ativista cultural premiada. Especializou-se em Antropologia Social, Marketing e História da Arte. E foi a idealizadora de um dos cartões postais mais emblemáticos de Curitiba, o Natal do Palácio Avenida, que completou 20 anos em 2010.

Créditos: Felipe Rosa