“Sem integração com a população não há como combater o crime”

Na última década, o Paraná, segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, Reinaldo de Almeida César, viu piorar “dramaticamente” o perfil deste setor, com redução de investimentos e de efetivo policial, com o aumento paralelo significativo da criminalidade, facilitada igualmente pelas causas endêmicas da violência, como afirmou, em palestra para dezenas de empresários, na última quarta-feira (16/02), na Associação Comercial do Paraná.

Ao evento, promovido pelo Conselho Político da entidade, compareceram, além de César, o coronel Marcos Theodoro Scheremetta, comandante geral da Policia Militar, e o delegado-chefe da Policia Civil no Estado, Marcus Vinicius da Costa Michelotto.

“Não podemos ‘funalizar’ o debate e nem administrar a segurança pública olhando pelo retrovisor. A necessidade de segurança pública não faz distinção entre um bilionário e um miserável. E todos devem saber que tratamos a segurança em um ambiente técnico, acima das questões políticas”, adiantou César, antes de dar informações sobre o quadro deste setor no Estado.

Um dos exemplos emblemáticos deste perfil é o percentual de homicídios por 100 mil habitantes.

No país, esta taxa se situa em 17%; no Paraná em 34%; em Curitiba, em 32%, e na região metropolitana da capital paranaense, em 62%, com a profusão dos chamados “pontos quentes” do crime, de acordo com o secretário, que acrescentou que do total de homicídios, 80% estão ligados à droga.

Ele reconheceu que os números são “assustadores” e que em outras capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, as taxas, comparativamente, têm diminuído nos últimos anos.

O ataque às drogas

O combate ao crime se dará em várias frentes no Paraná, segundo César.

“Mas, não há outro caminho que não seja o da integração. E integração não só entre as forças policiais de todas as esferas, mas também com a comunidade, com entidades de classe com representatividade, como é o caso da Associação Comercial do Paraná”.

Ele informou que o Paraná, um dos poucos Estados que não têm um Gabinete de Gestão Integrada (GGI), passará a contar com três: um funcionará em Curitiba, com abrangência estadual, um no litoral e outro em Foz do Iguaçu, voltado para coordenar operações nas fronteiras do Paraná com o Paraguai e Argentina e nas divisas com Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

“Nossa faixa de fronteira, com 139 municípios, é um grande problema. Há, por exemplo, uma forte migração da criminalidade de São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul para cá. Precisamos e vamos criar um cinturão de proteção de fronteira”.

Segundo ele, contatos neste sentido foram mantidos, com “ótimos resultados”, com a secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki.

Os Gabinetes de Gestão Integrada reunirão um colegiado técnico, com todos os órgãos representativos da segurança, como a Polícia Federal, polícias Militar e Civil, Polícia Rodoviária Federal, além da Receita Federal, para o diagnóstico e planejamento operacional.

Principal combustível dos índices de criminalidade, o tráfico de drogas será atacado severamente, prometeu César.

“Desde discutirmos com as prefeituras sobre a liberação de alvarás de bares, nos arredores das escolas, que vendem bebidas para menores até o combate sistemático e científico às drogas pesadas. O crack, por exemplo, é um flagelo e 98% dos municípios brasileiros sofrem com ele. Vamos combatê-lo como às outras drogas, que não são só um problema de polícia, mas uma questão de política pública”.

O secretário enfatizou que o Paraná “precisa ter o respeito democrático de Direito, o respeito às leis. Não existe herói e nem xerife, muito menos Capitão América. Mas, no Paraná, com a integração das forças policiais e a colaboração da população, a lei vai valer”.

Além de elogiar a coragem e a disposição dos responsáveis diretos pela segurança pública no Estado, o presidente da ACP, Edson Ramon, frisou que “não há país desenvolvido econômica e socialmente se a segurança é vista apenas do ponto de vista corretivo. É preciso termos uma política nesta área de forma preventiva e corretiva”.

Para ele, as bandeiras da ética e da moral, defendidas ao longo da existência da ACP, devem ser disseminadas “para toda a população, de forma a fazer com que o crime, seja pequeno ou grande, seja condenado, tenha a repulsa dos homens de bem”.

Créditos: Felipe Rosa

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