Vendas do Dia dos Namorados sofrem com a retração

A crise econômica ainda produz resultados negativos na movimentação de vendas do comércio varejista, e essa realidade se verificou em relação ao Dia dos Namorados, no qual o comércio curitibano na comparação com o mesmo período de 2016 sofreu queda real de 9% corrigida pelo índice inflacionário de 3,59%, acumulado nos últimos 12 meses.

A queda nominal foi de 5%, um ponto percentual a mais que o índice apurado em 2016 em comparação com o mesmo período de 2015.

O resultado negativo das vendas foi explicado pelo presidente do Instituto Datacenso e responsável técnico pela pesquisa, o economista Cláudio Shimoyama, pelo fato de o Dia dos Namorados “não ser uma data relevante para o comércio varejista, mas também porque o consumidor está mais receoso na hora das compras, ainda tem dívidas a pagar ou percebeu que os preços das mercadorias estão em elevação”.

Além disso, a pesquisa mostrou que grande parte dos consumidores, especialmente os mais jovens que estão na faixa etária de 16 anos a 24 anos (51%), também enfrentam problemas com o desemprego e o endividamento. A renda média familiar mensal de 58% dos consumidores ouvidos varia entre R$ 1.874 a R$ 4.685, ou seja, entre 2 e 5 salários mínimos. Apenas 2% dos consumidores têm renda mensal superior a R$ 9.370 (mais de 10 SM).

O gasto médio por presente para namoradas e namorados foi de R$ 113 (2% a menos que no ano passado), sendo que a preferência foi por roupas (25%), perfumes (15%), bolsas e acessórios (12%), chocolates (9%), joias (8%) e em proporções menores almoços ou jantares, flores, livros e calçados.

Os dados foram coletados pelo Instituto Datacenso para a Associação Comercial do Paraná (ACP), com entrevistas realizadas durante os dias 13 e 14 desse mês com 200 empresários e 200 consumidores. Os comerciantes ouvidos ocupam as funções de gerente ou supervisor (74%), proprietário ou sócio (26%), representando microempresas (70%), pequenas (29%) e grandes (1%).

Para 43% dos comerciantes entrevistados as vendas foram iguais às do ano passado, inferiores para 34% e superiores para 23%, indicando que os efeitos da retração ainda persistem.

O esforço para incrementar as vendas também não teve maior impacto entre os empresários, porquanto 63% não fizeram qualquer tipo de promoção especial. Da parcela minoritária de 37%, a maioria (68%) concedeu descontos para pagamento à vista, ao passo que 46% distribuíram ou sortearam brindes e presentes.

Os pagamentos foram efetuados mediante parcelamento no cartão de crédito (36%), à vista com cartão de débito (23%), à vista com cartão de crédito (21%), a dinheiro (15%) e a prazo no carnê (5%).