Vereadores debatem proposta de feriados na Copa

Decisão da matéria, entretanto, foi adiada por três sessões da Câmara Municipal

 A Comissão Especial da Copa de 2014 da Câmara Municipal esteve reunida nesta quarta-feira (22), para divulgar à imprensa e demais vereadores da Casa o resultado  da votação feita via internet sobre a adoção de feriados nos dias de jogos do Mundial. Na ocasião, o vice-presidente e coordenador do Conselho Político da Associação Comercial do Paraná (ACP), Gláucio José Geara, esteve presente para falar em nome da entidade que se posiciona contrária aos feriados. A comissão tem atuado como filtro para reunir dados, contatar a sociedade e saber a opinião de entidades, deliberar sobre o encaminhamento da proposta do prefeito municipal ao plenário.

  Apesar de a reunião ter mobilizado a atenção da mídia, a decisão foi adiada por unanimidade pelos vereadores, que decidiram protelar a discussão por três reuniões a fim de reunir dados técnicos que possam embasar o posicionamento da comissão. A sugestão de adiamento foi feita pelo vice-presidente do comitê, vereador Fábio Gevert (PSC).

 De acordo com o presidente da comissão, vereador Paulo Rink, 7.368 pessoas votaram pela internet, das quais 6.439 posicionaram-se a favor do feriado, sendo que apenas 929 declararam-se contra. Apesar do resultado, a maior parte dos convidados pronunciou-se totalmente contra o fechamento do comércio. Geara, ao ratificar a posição da ACP diz que “o que um comerciante deixa de vender hoje, jamais poderá ser recuperado no dia seguinte”.

 Além disso, Geara explicou que em contato com as associações comerciais do Rio e de São Paulo, cidades-sede da maior parte de jogos da Copa, tomou ciência de que as cidades nem ao menos cogitam instituir o feriado. Ou seja, Curitiba é a única das capitais preocupadas em discutir o assunto, alegando como ponto principal a questão da mobilidade. De acordo com a sugestão da Fifa, é recomendável que qualquer cidadão tenha acesso aos estádios do Mundial em 5 minutos, o que nas palavras de Geara significaria “fechar a cidade”.

 “O que deve ser fomentado é o incentivo ao comércio central e dos bairros, do turismo na região Sul do Brasil, do acesso a Santa Felicidade, enfim, à gastronomia e ao comércio em geral que têm um apelo grande na cidade de Curitiba. Apesar da posição da Fifa, é urgente que a própria Comissão da Copa se posicione nesta discussão”, assegurou o vereador Valdemir Soares (PRB).

 

A inviabilidade da proposta fica clara ao se analisarem os números, pois quando a idéia da Copa foi vendida ao Brasil, estimava-se que cada turista deixaria no país, por dia, de US$ 400 a US$ 600 (correspondente a cerca de R$ 800 e R$ 1.200 atualmente), cifra calculada com base no comércio em geral somado ao turismo, por isso seria arriscado ter estabelecimentos comerciais fechados, inclusive porque ainda não foram definidos também os horários de funcionamento de shoppings e mercados. “Este será o momento de vender, de faturar, de movimentar a economia da cidade”, diz o vereador Chico do Uberaba.

Apesar dos números que envolvem toda a cidade, apenas 42 mil pessoas teriam acesso aos jogos, número que traduz a capacidade da Arena da Baixada, estádio-sede da capital. Daí o questionamento acerca da paralisação das atividades comercias em prol da instituição de um sistema de segurança e mobilidade que beneficiaria apenas 3% da população.

 Contrário à maior parte dos presentes, o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrabar) do Paraná, Fábio Aguayo, sugeriu a instituição de ponto facultativo em meio dia.