ACP | Associação Comercial do Paraná

ACP promove debate sobre momento político

O deputado federal Paulo Martins (PSDB-PR) disse nessa segunda-feira (13) em debate na Associação Comercial do Paraná (ACP), marcando o lançamento da agenda paranaense do Movimento Brasil Livre (MBL), que “o país ainda não foi reformado apesar do impeachment da presidente Dilma Rousseff, que é apenas o primeiro passo no longo caminho da reformulação que a sociedade espera”.

O parlamentar propôs também uma “mobilização do bem para evitar que essa força seja banida pelo processo totalitário ainda no poder por meio do processo cultural, e da expansão do movimento sindical sustentado pelo imposto sindical cobrado de todos os trabalhadores brasileiros”.

No evento que contou ainda com as intervenções do cientista político Frederico Junkert e do coordenador estadual do MBL, Eder Borges, o deputado tucano assegurou a necessidade de uma frente de “conscientização e mobilização social porque caso contrário o PT voltará ao poder”, ressaltando que “tudo ainda está armado e funcionando por meio do domínio exercido pelas corporações, grandemente temidas pelo próprio Congresso Nacional”.

Mãe de todas as reformas

Martins disse claramente que “a mãe de todas as reformas será a quebra definitiva dessas corporações e sua influência sobre os meios políticos”, lembrando mais uma vez o poder dos sindicatos que se mantêm com a arrecadação do imposto sindical (o valor de um dia de trabalho/ano de cada empregado). Martins afiançou que já começou a trabalhar na Câmara pela extinção do imposto sindical, recebendo os aplausos da plateia.

Ele citou também o fato de que apenas dois deputados federais (ele e um colega) dentre os 513 componentes da Câmara, votaram contra a aprovação do reajuste salarial concedido pelo governo aos funcionários federais dos três poderes, “por entenderem que o Brasil está quebrado e não ter condições de criar uma nova despesa que chegará a R$ 53 bilhões até 2017”.

Confessando pertencer à direita do PSDB, ao debater a exposição inicial do cientista político Frederico Junkert, Martins apontou para o processo cultural introduzido no país pelo governo petista, lembrando o período em que a então ministra Dilma Rousseff presidia o Conselho de Administração da Petrobras. “Ela estava informada de tudo e conhecia muito bem todos os pormenores das grandes negociações mantidas pela estatal, e foi exatamente por dominar esse esquema que ela se tornaria candidata à presidência da República”, garantiu.

Evolução da ideologia de esquerda

Na abertura dos trabalhos, após a saudação inicial do presidente da ACP, Antonio Miguel Espolador Neto, o cientista político Frederico Junkert historiou a evolução da ideologia de esquerda no espectro político internacional, citando o intelectual italiano Antonio Gramsci, autor da “verdadeira bíblia da estratégia revolucionária”, o livro escrito por ele quando na prisão, os “Cadernos do cárcere”.

Em 1915 os bolcheviques liderados por Lenin chegaram ao poder na Rússia originando a União Soviética e inaugurando um período de 75 anos de dominação e violência, com milhões de pessoas assassinadas a fim de garantir o poder nas mãos dos comunistas. Junkert lembrou que a hegemonia comunista tinha por base a centralização administrativa, a polícia e o poderoso Exército Vermelho. “A dominação das massas foi conseguida pela ocupação de espaços, aí incluídos as escolas, universidades, igrejas e sindicatos”, citou.

O pesquisador lembrou que em 1935, no Brasil, o líder comunista Luiz Carlos Prestes tentou um golpe militar (a chamada Intentona Comunista) para assumir o poder, mas falhou. Em 1964, o populismo e a simpatia pelo comunismo do presidente João Goulart novamente tentaram, mas de novo foram derrotados.

“Entretanto, a elite política que se formou no Brasil desde os anos 50 foi conquistando seu espaço, incluindo os partidos de esquerda, é a que está no poder atualmente”, comentou ao enfatizar que em 1980 surgiria o Partido dos Trabalhadores que em 2003 elegeria o presidente da República. Tendo em vista que a Constituição aprovada em 1988 acabou dando margem ao aparecimento do estado patrimonialista que se arroga conduzir a vida dos cidadãos, por ideologia o PT apropriou-se dessa ferramenta fazendo com que a carga tributária que em 1993 era de 23%, chegasse hoje a cerca de 40% do Produto Interno Bruto.

Empresariado de conluio

Um dos principais instrumentos usados para incrementar a ideia do estado provedor de todas as necessidades dos cidadãos foi o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que em cinco anos investiu R$ 1 trilhão em beneficio de apenas 1% do universo empresarial brasileiro. “Quando foi criado o referido banco tinha o objetivo de financiar obras públicas de grande porte em território nacional” assegurou Junkert, ao passo que atualmente tem empréstimos concedidos aos governos de Cuba, Bolívia, Equador, Venezuela e El Salvador, que são todos seguidores da ideologia bolivariana, também chamada de “socialismo do século XX”.

Segundo o expositor a soma de investimentos do BNDES em países que reconhecidamente seguem a ideologia bolivariana chega a US$ 7 bilhões, chamando a atenção para o fato de que esses países são signatários do chamado Foro de São Paulo.

Aproveitando-se do que se convencionou chamar de “empresariado de conluio”, o PT que tencionava chegar ao poder por meio da luta armada, fato evidenciado pela criação do MST na região Oeste do Paraná, Junkert disse que poucos anos depois o partido surgido no ABC paulista mudaria o foco para a via eleitoral democrática.

Lembrou que em 2002 o partido, orientado pelo publicitário Duda Mendonça, editou a Carta ao Povo Brasileiro comprometendo-se a seguir rigorosamente as regras do mercado e do próprio sistema democrático, “esquecendo-se que apenas seis anos antes publicara a Carta de Olinda para confirmar todos dos princípios de atuação política consagrados anteriormente”.

Em conclusão, afirmando que o Brasil atual, com 200 milhões de habitantes detém apenas 1% do comércio mundial e a Alemanha com 80 milhões tem mais de 8%, o cientista político enfatizou a necessidade de “mobilização da sociedade para a retomada do processo político, antes que a esperança vá por água abaixo e o Brasil se transforme numa nova Venezuela”.

O evento foi encerrado com a fala do coordenador regional do MBL, Eder Borges, que salientou a importância dos movimentos de rua na atualidade política brasileira, chamando a atenção para a prática do liberalismo com base no livre mercado, estado mínimo, descentralização, desburocratização, federalismo e combate a corrupção, entre outros avanços sociais.

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