ACP | Associação Comercial do Paraná

Exemplos de mobilidade verde que funcionam

As discussões acerca da criação do plano para desenvolvimento de uma economia sustentável entre as Américas continuaram, na manhã desta quarta-feira (9), no Seminário Internacional Energia e Clima, promovido pela Associação Comercial do Paraná (ACP), com o estudo de casos de cidades que encontraram alternativas “limpas” para conciliar a mobilidade urbana e o cuidado com o meio ambiente.

 O vice-diretor para a América Latina do Instituto de Política de Transporte e Desenvolvimento (ITPD), Bernardo Baranda, abriu a programação citando o exemplo da Cidade do México, onde foi implantado recentemente um programa de utilização de bicicletas públicas para locomoção dos populares. Segundo ele, a alternativa, além de gerar benefícios ao ecossistema, manteve as características da cidade, sem que fossem necessárias grandes intervenções arquitetônicas. “Uma coisa que as pessoas precisam entender, é que é preciso preencher os espaços de solo urbano, mas preservando o que já existe em cada cidade, sem destruir a identidade que ela tem,” salientou. Segundo ele, o que precisa haver é maior diálogo e troca de experiências entre as cidades e nações, para que a economia sustentável ocorra.

A mesma linha de pensamento foi defendida pelo presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), Marcos Isfer, que, inclusive, evidenciou as ações adotadas em Curitiba, ao dizer que a cidade precisa “anunciar mais para o mundo o que desenvolve no mérito da sustentabilidade urbana”. De acordo com ele, já é senso comum que a utilização dos automóveis nos grandes centros urbanos não é viável para o meio ambiente e, portanto, cabe às prefeituras e órgãos competentes a adoção de medidas alternativas para o transporte privado. “Por isso, a supremacia do transporte coletivo para o privado é a tônica da administração da cidade de Curitiba”, garantiu. Disse ainda que a iniciativa feita na cidade do México é interessante para a capital paranaense, no entanto, para que seja viável, é necessário haver uma ampliação das ciclovias e ciclofaixas da cidade, para que cheguem até o Centro. A utilização de meios de transportes movidos a biocombustível também faz parte das sugestões de Isfer para Curitiba.

Já a coordenadora de Relações Externas do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Liana Valicelli, levantou a questão da instalação de uma linha de metrô na cidade, para desafogar o tráfego de veículos nas ruas. Segundo ela, se a intenção é diminuir o uso dos carros, é preciso que haja boas condições de transporte público para locomoção dos passageiros. “A prioridade do Ippuc é desenvolver alternativas eficazes e ecologicamente corretas de transporte de massa”, disse. O professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Emilio Haddad, por sua vez, apresentou uma visão acadêmica para o planejamento econômico sustentável entre os continentes e disse que o essencial é a adoção da uma economia ambiental. O processo, segundo ele, reinterpreta a teoria econômica atual, tendo em vista a inclusão dos processos sociais de geração e apropriação do valor ambiental das alternativas modais.

O seminário foi realizado por meio de uma parceria entre o Conselho de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Concex-RI) da ACP,  a American Planning Association (APA) e a Prefeitura de Curitiba.