Manifesto

A Associação Comercial do Paraná que sempre primou pela ordem, pela ética e pelo Estado Democrático de Direito, lamenta os fatos ocorridos na última quarta-feira em Curitiba que culminaram com o confronto entre policiais militares e professores. O episódio provoca grande constrangimento à sociedade paranaense e em nada contribui para a causa daqueles que querem um país melhor, mais justo, democrático, vigilante contra a corrupção, com liberdade econômica e garantia dos direitos do trabalhador.

Os responsáveis por iniciar a desordem devem ser identificados e punidos. Para ter legitimidade, manifestações devem ser pacíficas e dentro da lei. Caberia às autoridades estaduais ter estabelecido planos de contingência que garantissem o controle da situação e a segurança de todos. E as lideranças sindicais envolvidas deveriam conduzir suas ações dentro da lei e da ordem, com absoluto respeito às instituições. A tentativa de impedir à força a votação do projeto pelos deputados estaduais configurou ato inaceitável e, claramente, serviu para estimular o conflito da última quarta-feira.

Não se discute a necessidade de o governo sanear suas contas. O Estado não pode ficar insolvente e sem recursos para execução de obras básicas e necessárias. Mas medidas de forte impacto como esta relacionada à previdência estadual devem ser discutidas com toda a sociedade. O diálogo é fundamental. Sindicatos devem ser chamados à mesa de negociação e mesmo as entidades que representam a sociedade civil e o setor produtivo devem ser ouvidas. Este é o melhor caminho para se evitar o confronto e promover as mudanças que o estado e país precisam.

Cabe às nossas autoridades e lideranças atuar de forma racional e com inteligência para impedir que os ânimos se acirrem e para por fim às divisões que tanto mal têm feito ao nosso país.

Episódios como este não podem também servir de bandeira para aqueles que querem impedir os avanços que a sociedade brasileira exige e que entraram em pauta com as grandes manifestações de rua em todo o país. As reformas tão sonhadas precisam ser discutidas e implementadas. O país tem que avançar.