ACP quer plano conjunto das autoridades para resolver o problema dos moradores de rua

O presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Antonio Miguel Espolador Neto, diretores e conselheiros da entidade resolveram expressar conjuntamente sua preocupação com o agravamento da questão  dos moradores de rua em Curitiba. “A situação chegou a seu limite, exigindo providências imediatas a bem da cidade, do comércio e da população”, resumiu Espolador.

O problema tem gerado grande insatisfação, tendo em vista os sérios prejuízos causados ao comércio, e exige a pronta ação das autoridades constituídas. “Num período de retração econômica, os comerciantes, especialmente aqueles estabelecidos na rua XV de Novembro, como já acontece com muitos, podem ter o seu negócio inviabilizado”, comentou.

Observa-se hoje na área central de Curitiba que grande número de pessoas passou a ocupar espaços nas vias públicas, dormindo sob marquises ou nas praças, assim como ocorre também em muitos bairros.

“Essas pessoas, ao invés de perambularem ao relento deveriam ser encaminhadas a instituições aparelhadas e preparadas para oferecer-lhes abrigo digno e, acima de tudo dar a elas a oportunidade de se readequar para o convívio social”, disse.

“Os proprietários de estabelecimentos comerciais têm reclamado de prejuízos, e com razão”, argumentou Espolador lembrando que “muitas vezes os clientes evitam entrar nas lojas por causa da aglomeração de pessoas e até mesmo de animais domésticos”.

No centro, a chamada população em situação vulnerável ocupa vários espaços ao longo da rua XV de Novembro, um dos principais cartões postais de Curitiba e espaço obrigatório de circulação dos turistas que escolhem a cidade para passar parte das férias.

“Além do constrangimento social e da falta da higiene o comerciante que paga impostos tem sido altamente prejudicado porque os colchões e cobertores sujos são estendidos — e ali permanecem – a bem dizer na porta das lojas”, revelou.

Também os transeuntes e moradores das proximidades são prejudicados em seu direito de ir e vir, especialmente em se tratando de pessoas idosas, “que naturalmente temem transitar por esses locais”.

Diante da problemática, o presidente e os dirigentes da ACP apelam às autoridades e entidades representativas da sociedade no sentido da realização de um esforço concentrado para a resolução imediata de uma situação que tende a se agravar.

Segundo Espolador “não está em questão o emprego da violência, do autoritarismo ou de qualquer outro cerceamento fora de controle capaz de gerar conseqüências indesejáveis, mas do estrito cumprimento de obrigações inerentes às autoridades constituídas em termos da manutenção da ordem nos espaços públicos”.

Ao longo do tempo, Curitiba construiu pelo esforço das autoridades e população “um invejável, moderno e respeitado patrimônio urbanístico pelo qual se tornou uma cidade-modelo para o Brasil e o mundo”, lembrou o presidente da ACP, ao lamentar que infelizmente “essa imagem não mais é observada circulando pelas ruas da cidade”.

A seu ver, o que se propõe nesse momento “é a urgente convocação das autoridades e setores afins para a rediscussão do resgate imediato de Curitiba como cidade-modelo, não apenas pelo seu traçado urbano exemplar, as áreas verdes e o sistema público de transporte, além das oportunidades para estudar e empreender, mas em primeiro lugar pelo respeito merecido pelos seres humanos. Esses valores jamais poderão desaparecer”, concluiu o presidente da ACP.