Conselho das Câmaras Setoriais recebe vereadores e historiador

O Conselho das Câmaras Setoriais da Associação Comercial do Paraná (ACP), liderado pelo vice-presidente Camilo Turmina, recebeu na noite desta terça-feira (24) os convidados Renato Mocellin, historiador que palestrou sobre a trajetória do Barão do Serro Azul e os vereadores Luiz Felipe Braga Côrtes (PSDB) e Hélio Wirbiski (PPS), que falaram sobre o Plano Diretor de Curitiba para os próximos dez anos.

O vereador Hélio Wirbiski, vice-presidente da Comissão de Urbanismo e Obras Públicas da Câmara, explicou que  até o fim do ano haverá mais sete audiências públicas e que cada encontro será realizado com temas pré-definidos, mediados e integrados por convidados, interessados e representantes de entidades ligadas diretamente ao tema em discussão. Segundo ele, “a participação das pessoas nesse processo é fundamental, pois o sucesso desse trabalho dependerá do empenho de cada um de nós”, disse.

Felipe Braga Cortês falou sobre temas como o horário de funcionamento do comércio, segurança e mobilidade urbana, lembrando que a participação da ACP nesses processos é fundamental.

Nas futuras reuniões serão utilizadas como subsídio: sugestões, propostas, informações e dados compilados a partir das audiências públicas realizadas, promovendo-se ampla discussão focada nos temas específicos. Em seguida, serão elaborados os documentos a serem encaminhados ao Poder Executivo para apreciação e possível incorporação na lei revisora do Plano Diretor.

História

O historiador Renato Mocellin, formado pela UFPR e autor de várias coleções aprovadas pelo Programa Nacional do Livro Didático, do Ministério da Educação, falou da sua mais recente obra, “Pica-paus e Maragatos” que aborda a Revolução Federalista.

Referindo-se a alguns temas descritos no livro, Mocellin lembrou que a guerra deixou mais de 10 mil mortos entre os anos 1893 e 1895 em que de um lado estavam os federalistas, chamados de maragatos, cuja maioria dos integrantes defendia um governo parlamentarista e do outro lado estavam os legalistas – apelidados de pica-paus, que defendiam o governo.

A degola era chamada, na época, de gravata vermelha. Muitos desses mortos eram pessoas que nem estavam participando da guerra. Outra coisa que não apontam direito é que os federalistas, quando tomavam uma cidade, pediam para que a população bancasse tudo. Eles pagariam somente se a revolução triunfasse. Mas essa prática também era adotada pelas tropas legalistas, que faziam o povo pagar suas custas. No meio dessa guerra, a população foi extorquida dos dois lados.

Para não saquear Curitiba, os federalistas exigiam “empréstimos de guerra”. Foi nesse período que Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul, pagou aos federalistas para que a cidade não fosse alvo de saques. Nessa época, Vicente Machado já tinha fugido de Curitiba. Serro Azul chegou a cuidar de Curitiba por meio de uma junta governativa.

Quando os legalistas retornaram a Curitiba, mandaram prender Serro Azul e mais cinco companheiros sob a alegação de que deveriam ser julgados pelo Conselho Militar pela “ajuda” que teriam dado aos maragatos. Destemido, acreditava que era capaz de explicar o contexto em que as coisas tinham acontecido. Mas na noite do dia 20 de maio de 1894, foram levados de trem com o pretexto de que embarcariam em um navio com destino ao Rio de Janeiro, onde receberiam a sentença. Era uma emboscada. Todos eles foram executados no meio do caminho.

Ainda não se tem uma resposta definitiva de quem teria ordenado a morte. Poderia ser Vicente Machado ou Floriano Peixoto. “Não há, contudo, documentos que comprovem que um deles mandou matá-lo.

Mocellin finalizou a palestra destacando a importância do Barão do Serro Azul, que segundo ele “foi um homem à frente de seu tempo, empresário, abolicionista e que lutava por uma sociedade mais justa. A ACP é privilegiada em ter como mentor um homem tão honrado e iluminado como Ildefonso Pereira Correia”, concluiu.