Em janeiro, pior mês para o comércio, vendas despencam 24% em Curitiba

Férias escolares, gastos de dezembro e preços altos restringem o poder de compra do consumidor

O movimento de vendas do comércio curitibano em janeiro sofreu a queda de 24% em relação ao desempenho verificado em dezembro de 2014, confirmando o dado histórico que coloca o último mês do ano como o melhor para o comércio, ao passo que o primeiro do ano seguinte é o pior.

Na comparação das vendas de janeiro com o mesmo período de 2014, a série mostra que o movimento do primeiro mês foi 4% inferior ao percentual registrado em janeiro do ano passado.

Ao mesmo tempo, a pesquisa mostrou que o nível de preocupação dos empresários que em novembro último atingiu 47%, passou para 60% em janeiro. A média de 15% dos comerciantes ouvidos aguarda oportunidades, embora 8% se declarem inteiramente desanimados.

A situação foi levantada pela pesquisa ACP/Datacenso, que ouviu 200 micro, pequenos, médios e grandes empresários entre os dias 2 a 4 desse mês. Na projeção das vendas de fevereiro a expectativa é que elas apresentem um percentual de crescimento de 2% em relação ao mês de janeiro.

Setores prejudicados

Os setores mais prejudicados pela queda do movimento de janeiro foram joalheria (menos 36%), vestuário (menos 35%), cosméticos (menos 33%), calçados (menos 26%), utilidades domésticas (menos 22%) e artigos esportivos (menos 18%).

À exceção de materiais de construção e joalheria/bijuterias/relógios que ainda em fevereiro estimam índices negativos de 2% e 4%, respectivamente, a pesquisa constatou expectativas favoráveis em livraria/papelaria (15%), chocolates (10%), utilidades domésticas (6%) e cosméticos/perfumaria (3%).

Para cerca de 70% dos comerciantes entrevistados pelo Datacenso, o desempenho melhor em fevereiro será estimulado por investimentos em propaganda, promoções, desconto e liquidações. A proximidade da Páscoa e o início do ano letivo foram os estímulos citados por 16% dos empresários.

Estado de espírito

Em janeiro o volume de vendas a prazo alcançou 57% das operações, enquanto que as vendas à vista atingiram 19%, registrando o crescimento acumulado de 49% desde novembro passado.

A principal forma de pagamento em janeiro foi o cartão de crédito (70%), superando levemente o percentual de novembro (68%). Em comparação com o mês anterior o volume de vendas de janeiro foi inferior para 86% dos comerciantes, consolidando a queda geral de 24%.

O Datacenso levantou também o estado de espírito dos empresários do comércio em relação a 2015, mostrando que o nível de preocupação subiu de 47% em novembro para 60% em janeiro, sendo que a média de 15% revela estar à espera de novas oportunidades e 8% se confessam inteiramente desanimados.

A maioria absoluta dos comerciantes preocupados com o exercício recém-iniciado apontou o conjunto formado pela instabilidade econômica, elevação dos preços, volta da inflação e aumento de impostos como o principal fator da queda de vendas.