ACP | Associação Comercial do Paraná

Especialista apresenta dados importantes sobre ferrovias em palestra na ACP

Dando continuidade à campanha “Mais Ferrovias Para o Brasil Não Parar”, criada pela Associação Comercial do Paraná (ACP), a sala magna da Associação recebeu na noite de quarta-feira (08) o engenheiro João Arthur Mohr, especialista em transportes, que ministrou a palestra “Ampliação do Modal Ferroviário no Paraná”, para as mais de 50 autoridades e espectadores presentes.

Mohr guiou sua fala seguindo uma linha do macro para o micro, confrontando os números e métodos globais com as aplicações locais, tanto no Brasil quanto no estado do Paraná. Um ponto de consenso dentre todos os presentes se deu na parte sobre apoio para fazer um plano sólido sair do papel, com a participação de todos. “De nada adianta termos uma ótima ferrovia e ela ser um monopólio, principalmente se a vantagem econômica dela não for repassada ao setor produtivo”, afirmou Mohr.

NÚMEROS

Mohr deu um dado importante para o atual momento do país. “Canadá, China e EUA variam entre 37% e 46% de sua matriz de transporte com ferrovias, majoritariamente por conta do escoamento de grãos. Já no Brasil, 25% da matriz de transporte do nosso país é realizada pelo modal ferroviário, mas por conta de um único produto: minério de ferro. Tira-se o minério dessa conta, a matriz ferroviária despenca para apenas 3%. Hoje nós não temos rodovias para transportar outros tipos de carga, principalmente do agronegócio”, comentou.

O especialista ainda trouxe a distância que estamos dos outros países. “Tendo em vista que nossa malha ferroviária está 50% parada, nosso país entrega apenas 3 km de malha para cada 1000 km² de território. Comparando esse número com os dos países líderes nesse modal, nossa densidade é cerca de 12 ou 13 vezes menor, mesmo que sejamos tão produtivos e recordistas quanto estes países”, completou.

PARANÁ

Apesar dos números preocupantes, Mohr trouxe para a palestra um refresco ao citar os planos voltados para a malha ferroviária paranaense. “Existe o projeto de ligação direta de Guarapuava para Paranaguá, com rampas mais suaves, curvas de raio maior, para fazer as composições passarem dos atuais 15km/h para 60km/h, complementando com uma outra ligação direta para Mato Grosso. Essa ferrovia tem previsão para ficar pronta em 2027, o que daria a capacidade de transportar 50% da nossa produção por trilhos”, disse.

Encerrando sua fala, Mohr deixou uma reflexão para os presentes. “Um porto como o de Paranaguá, que pretende movimentar 80 milhões de toneladas, pode se contentar com apenas 20 milhões vindo das rodovias? Por que não nos comprometemos em ir para uma solução definitiva? Dá para fazer uma sociedade, entre indústrias e agricultores, em uma espécie de consórcio para fazer isso ser viável. A gente não pode aceitar mais uma concessão de 30 anos sem ter ao menos uma ferrovia de alta capacidade. Só viver de remendos, não dá”, afirmou.

Especialista apresenta dados importantes sobre ferrovias em palestra na ACP
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