ACP | Associação Comercial do Paraná

Gustavo Loyola diz que Brasil “está na encruzilhada”

Doutor em economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central do Brasil em duas oportunidades, sócio da Tendências Consultoria Integrada, disse nessa terça-feira (23) na sede da Associação Comercial do Paraná (ACP), ao participar do Road Show Acrefi Curitiba 2017, que as soluções para a crise iniciada na quarta-feira da semana passada devem ser propostas “pelo sistema político atual, reconhecendo, entretanto, “que o Brasil se encontra numa encruzilhada”.

Como um dos oradores convidados para o evento organizado pela Associação Nacional de Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Loyola observou que a conferência que havia preparado para a ocasião, “em face dos acontecimentos políticos recentes está sub judice”, provocando risos na plateia formada por economistas, representantes de bancos, financeiras e operadoras de investimentos.

O economista projetou então alguns cenários que podem advir tanto com a permanência quanto com a substituição do presidente Michel Temer, ressalvando que soluções oriundas da extrema esquerda ou da extrema direita “serão ruinosas para o país”.

O primeiro cenário pensado por Gustavo Loyola, ao qual atribui 15% de chance de vir a acontecer, com Temer ou outro presidente, deve continuar trabalhando pela aprovação das reformas básicas e a manutenção da mesma equipe econômica atual.

O segundo cenário (70% de chance) será prejudicial mesmo com a equipe atual, se por acaso as reformas sofrerem algum atraso ou forem diluídas durante a discussão e votação. “A incerteza política se prolongará por mais tempo e os prejuízos seriam inevitáveis com a economia andando de lado, retardando a recuperação do emprego”. Ele advertiu que em 2018 “o crescimento do PIB dificilmente chegaria a 2,5%, não passando de 1%”.

Nessa mesma simulação, segundo Gustavo Loyola, a taxa Selic que pode chegar ao final do ano entre 8,5% e 8%, na verdade pode subir para 9%. A volta da inflação e a elevação do câmbio “não serão ruins, mas darão pequena margem para a recuperação da economia”.

Para o consultor “o Brasil sofrerá muitas escoriações”, mas conseguirá sair do impasse.

Com 25% de chance, segundo as projeções do ex-presidente do Banco Central, o terceiro cenário resultaria da eleição direta de um candidato alinhado às ideias do governo anterior (o próprio Lula ou outro indicado por ele), a seu juízo “um filme que deu errado”.

O novo governo enfrentaria muitas dificuldades e complicações, como a elevação do câmbio e das taxas de juros, além de arcar com a volta da recessão e o crescimento do PIB permanecendo próximo a zero.

Na conclusão, Loyola defendeu que o próprio sistema político apresente as opções favoráveis para tirar o Brasil da crise e mudar para melhor, reafirmando que confiança e trabalho, além da participação política na direção certa é dever da sociedade.