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Política monetária e cenário global desafiam empresários, aponta economista em palestra promovida pelo CJE da ACP

14 de maio de 2026 | Escrito por ACP

“O empresário que deixa de acompanhar juros, inflação e câmbio perde capacidade de decisão.” A afirmação do economista da XP Investimentos, Alexandre Maluf, abriu a palestra sobre política monetária contracionista e cenário macroeconômico realizada nesta quarta-feira (03.05), em Curitiba. O encontro foi promovido pelo Conselho do de Jovens Empresários (CJE) da Associação Comercial do Paraná (ACP) em parceria com a XP Investimentos.

Durante a apresentação, Maluf analisou os impactos da conjuntura internacional sobre a economia brasileira e destacou que o atual cenário exige atenção redobrada dos empresários. Segundo ele, conflitos geopolíticos, inflação global e juros elevados seguem pressionando mercados, mas o Brasil aparece em posição estratégica diante das transformações econômicas internacionais. “O Brasil está muito bem posicionado no cenário internacional por ser um grande exportador de commodities, produtor de energia limpa e por possuir ativos estratégicos como petróleo, terras raras e capacidade agrícola”, afirmou.

O economista explicou que o aumento das tensões no Oriente Médio e a guerra comercial entre China e Estados Unidos vêm provocando forte impacto nos preços internacionais, especialmente do petróleo. Segundo ele, o barril saltou de cerca de US$ 61 para mais de US$ 100 em um curto período, movimento que pressiona a inflação mundial e obriga bancos centrais a manterem políticas monetárias mais rígidas. “O cenário é de inflação crescente e, provavelmente, de juros mais elevados no curto prazo. Isso afeta diretamente crédito, consumo, investimentos e custo operacional das empresas”, disse.

Janela de oportunidades

Na avaliação de Maluf, apesar dos desafios fiscais internos, o Brasil tem atraído capital estrangeiro em razão da valorização do real, da força do agronegócio, da energia limpa e da posição relativamente distante dos principais conflitos geopolíticos. Ele observou que o fluxo de investimentos externos acelerou em 2026 e ajudou a sustentar o crescimento econômico. “Estamos colhendo benefícios por estarmos fora dos grandes focos de instabilidade global. O mundo precisa de alimentos, infraestrutura, energia e commodities, e o Brasil tem condições de atender essa demanda”, ressaltou.

O economista também chamou atenção para a necessidade de aumento da produtividade brasileira. Segundo ele, o país convive há décadas com baixo avanço produtivo, fator que limita o crescimento sustentável da economia. “Não basta apenas crescer. Precisamos transformar crescimento em produtividade, eficiência e competitividade. Esse é o principal desafio estrutural do Brasil”, afirmou. Para Maluf, setores ligados à infraestrutura, energia, logística e tecnologia devem ganhar protagonismo nos próximos anos.

Melhorar tomada de decisão

Ao falar diretamente aos empresários, Maluf reforçou a importância de acompanhar os indicadores macroeconômicos para melhorar a tomada de decisão dentro das empresas. “Juros, inflação e câmbio parecem distantes da realidade do empresário, mas impactam diretamente no custo do crédito, no preço dos insumos, no custo do trabalho e na capacidade de investimento. Informação e assessoria qualificada fazem diferença nas decisões estratégicas”, destacou.

Durante a palestra, o economista apresentou três possíveis cenários macroeconômicos para 2026 e 2027. No cenário pessimista, chamado de “tempestade perfeita”, a Selic poderia chegar a 16,5%, com dólar a R$ 6,50, inflação de 8,2% e retração do PIB em razão do agravamento fiscal e fuga de capitais. No cenário considerado base, “navegando com cautela”, a projeção aponta Selic de 12,5%, dólar a R$ 5,50 e crescimento moderado do PIB de 1,7%, ainda sob pressão inflacionária (4,8%) e ambiente eleitoral polarizado. Já no cenário otimista, “vento a favor”, reformas fiscais e retomada dos investimentos poderiam reduzir a Selic para 9% e a inflação para 3,2%, levar o dólar para R$ 4,70 e impulsionar o PIB para 3,1%.

Estimular conexões

Na abertura do evento, o coordenador do CJE, Leonardo Navarrete, destacou a importância da aproximação entre empresários, lideranças e grandes companhias. “O CJE tem como missão fortalecer lideranças, estimular conexões e ampliar o ambiente de negócios para os jovens empresários. Estar na sede de uma empresa como a XP, recebendo um economista de referência nacional, reforça esse propósito de aprendizado, networking e desenvolvimento empresarial”, afirmou.

Navarrete também ressaltou que o Conselho pretende ampliar a agenda de encontros estratégicos, visitas técnicas e eventos exclusivos voltados ao desenvolvimento das novas lideranças empresariais do Paraná. “Queremos proporcionar acesso a grandes empresas, empresários e especialistas para que os jovens associados possam ampliar conhecimento, gerar conexões e desenvolver seus negócios em um ambiente cada vez mais competitivo”, concluiu.

Fotos: Isaque Alves de Carvalho

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