Levantamento do Corpo de Bombeiros aponta queda nos acidentes e aumento das mortes no Paraná
06 de maio de 2026 | Escrito por ACP

Levantamento do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), divulgado no Maio Amarelo — mês em que se reforçam as ações de conscientização para um trânsito mais seguro —, chama a atenção para a redução no número de acidentes de trânsito, que não tem sido suficiente para conter o avanço da letalidade no estado. Em 2025, foram registradas 120.541 ocorrências, com 85.403 vítimas atendidas em 365 dias de prontidão. Os acidentes de trânsito somaram 44.969 casos, uma queda de 3,44% em relação ao ano anterior.
Apesar da redução, os números ainda impressionam. As colisões lideram as ocorrências (27.638), seguidas por quedas de veículo (9.281), atropelamentos (3.216) e choques contra anteparos (2.164). O perfil das vítimas reforça um padrão recorrente: 64,78% são homens, e 41,62% têm entre 20 e 39 anos — faixa etária economicamente ativa e mais exposta aos riscos do trânsito. Curitiba concentra o maior volume de registros no estado, com 17.860 ocorrências.
Gravidade em alta
Na capital paranaense, os dados do CBMPR mostram uma tendência preocupante. Em 2025, foram contabilizados 8.191 acidentes, uma redução de 7,6% em relação a 2024. No entanto, o número de mortes subiu de 65 para 76, um aumento de 16,9%. Com isso, o índice de letalidade saltou de 0,73% para 0,93%, indicando que os acidentes estão mais graves, mesmo sendo menos frequentes.
A mesma tendência é observada na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O total de acidentes caiu de 5.855 para 5.643, mas os óbitos aumentaram de 101 para 107. A letalidade passou de 1,75% para 1,89%. Na prática, isso significa que, em 2025, Curitiba registrou aproximadamente um acidente por hora e uma morte por semana. Mais de 80% das vítimas são homens.
O impacto vai além das estatísticas. A alta frequência e a gravidade dos acidentes sobrecarregam diretamente os serviços de emergência, especialmente os sistemas de atendimento pré-hospitalar e de trauma, como SIATE e SAMU.
A concentração geográfica também chama a atenção. Curitiba e os municípios da RMC representam cerca de 30% dos acidentes de trânsito do Paraná (13.834), embora correspondam a apenas 7,5% das cidades do estado. A análise trimestral das ocorrências revela que, em 2025, foram registrados 3.486 acidentes em Curitiba e na RMC e, em 2026, 2.970 — uma redução de 14,5%.
Estrutura operacional
Para enfrentar essa demanda, o CBMPR passou por uma reestruturação organizacional, substituindo antigos grupamentos por Batalhões de Bombeiros Militar (BBM) e Companhias Independentes (CIBM), distribuídos estrategicamente nas principais cidades.
Na região de Curitiba, a cobertura envolve 29 municípios, com atuação do 1º, 6º e 7º Batalhões, permitindo resposta rápida e atendimento técnico a mais de 70% da população paranaense.
Segundo a corporação, 2025 foi marcado por desafios complexos, incluindo eventos climáticos extremos, mas também por avanços estruturais. “Seguimos com nosso compromisso absoluto com a sociedade paranaense: proteger, salvar e servir”, destaca o balanço institucional.
Engajamento
Para Mauro Gil, vice-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), o movimento Maio Amarelo, com o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, alerta para a necessidade de empatia. “Cada pessoa que cruza nosso caminho tem uma vida cheia de histórias e alguém esperando por ela em casa. Quando entendemos isso, mudamos a forma como nos comportamos nas ruas”, afirma.
Ele destacou que a ACP está sempre engajada em campanhas que tenham como proposta tornar Curitiba uma cidade mais segura e humana. Exemplo desse comprometimento será o evento que acontecerá no dia 11 de maio, com uma caminhada que partirá da Praça Osório em direção à sede da ACP. A concentração está marcada para as 9h, com início do trajeto às 9h15, pela Rua XV de Novembro. A abertura oficial acontece às 9h30, em frente à entidade.
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