ACP e CJE aproximam jovens empresários de uma história de empreendedorismo e inovação
06 de nov de 2026 | Escrito por ACP
“Nosso primeiro objetivo era sobreviver.” A frase de Marcelo Scandian, cofundador e CXO da MadeiraMadeira, resume o início de uma trajetória empresarial marcada por dificuldades, decisões ousadas e capacidade de adaptação. A história foi compartilhada nesta quinta-feira (05.11), durante mais uma edição do Business Room CJE, realizada na sede da empresa, em Curitiba, por iniciativa da Associação Comercial do Paraná (ACP), em parceria com o Conselho de Jovens Empresários (CJE).
Na abertura do encontro, o coordenador do CJE, Leonardo Navarrete, destacou a importância de aproximar os jovens empresários de experiências reais do mercado. “Buscamos promover iniciativas que contribuam para a capacitação e a formação de lideranças, trazendo vivências diferentes da rotina tradicional de escritórios e reuniões. Estar dentro de uma empresa inovadora, conhecer sua história e ouvir um dos seus fundadores é uma oportunidade muito rica de aprendizado”, afirmou.
De uma crise a uma oportunidade
Fundada em 2009 pelos irmãos Marcelo e Daniel Scandian, com a entrada posterior de Robson Privado, a MadeiraMadeira nasceu em um cenário adverso. Antes de ingressarem no comércio eletrônico, os irmãos acompanhavam os negócios da família, que mantinha uma fábrica de pisos de madeira. Com a crise financeira internacional de 2008, o mercado de exportação praticamente desapareceu, levando a empresa à falência e a um longo processo de recuperação judicial.
Sem capital para iniciar uma operação convencional, encontraram na internet uma alternativa. Primeiro, criaram um site para comercializar os ativos restantes da fábrica. Depois, estabeleceram parcerias com fornecedores para vender produtos sem a necessidade de manter estoque próprio. O que começou como uma solução para enfrentar a falta de recursos tornou-se um dos principais diferenciais competitivos da companhia.
Os primeiros anos, porém, foram difíceis. Além das limitações financeiras, a operação enfrentou fraudes com cartões de crédito que chegaram a comprometer cerca de 70% do caixa. A sobrevivência exigiu criatividade, negociação e capacidade de recomeçar. Marcelo lembrou que “a gente não tinha muitas opções. Precisava encontrar uma maneira de fazer o negócio funcionar. As dificuldades ajudaram a construir uma mentalidade de resiliência”.
Crescimento e inovação
Hoje, a MadeiraMadeira é uma das principais plataformas digitais especializadas em produtos para casa no Brasil e a mais acessada da América Latina. Em 17 anos de atuação, atendeu mais de 14 milhões de clientes, reúne cerca de 3 milhões de produtos e registra aproximadamente 25 milhões de acessos mensais. Seu modelo combina e-commerce, marketplace e lojas físicas, conectando consumidores a uma ampla rede de fornecedores e parceiros.
“A estrutura asset light, baseada em uma operação com poucos ativos próprios, surgiu das limitações financeiras do início do negócio. Em vez de investir em grandes estoques e frotas, estruturamos uma rede integrada de fornecedores e operadores logísticos. Atualmente, movimenta cerca de 23 mil toneladas de móveis por mês. Já as lojas físicas seguem um conceito voltado à experiência, com venda assistida e atendimento personalizado”.
A expansão também contou com rodadas de investimento e aquisições estratégicas. Em 2021, a MadeiraMadeira alcançou o status de unicórnio, com avaliação de mercado superior a US$ 1 bilhão. Para Marcelo, entretanto, captar recursos é apenas parte do desafio. “O mais difícil não é conseguir o investimento, mas fazer o dinheiro render e entregar aquilo que foi prometido. Nossa filosofia é prometer menos e entregar mais, além de escolher investidores que contribuam efetivamente para o desenvolvimento do negócio”, observou.
A tecnologia também ocupa posição central na operação. A companhia desenvolveu internamente mais de 30 softwares para integrar processos, fornecedores, logística e experiência do consumidor. Agora, a inteligência artificial abre novas possibilidades. “A inteligência artificial é um divisor de águas para a empresa, com potencial para transformar desde o atendimento e as vendas até a logística e a apresentação de produto”.
Entre os projetos estão soluções em 3D capazes de apresentar, em segundos, propostas de design e orçamentos para ambientes residenciais. Marcelo ressalta, porém, que a tecnologia precisa estar a serviço das pessoas. “A tecnologia é uma ferramenta, mas o conhecimento do negócio e a capacidade humana de resolver as dores dos clientes continuam sendo fundamentais”.
Pessoas e gestão
Outro tema abordado foi a cultura organizacional. Para Marcelo, o crescimento depende tanto da estratégia quanto das pessoas que constroem o negócio. A MadeiraMadeira valoriza princípios como colaboração, humildade, curiosidade e foco no cliente, presentes desde os processos de contratação até o desenvolvimento das equipes. “A empresa também promove encontros periódicos para compartilhar resultados, alinhar decisões e reforçar seus valores. Para nós é tolerância zero para comportamentos tóxicos”.
Ao falar sobre liderança, destacou a necessidade de equilibrar empreendedorismo e gestão. Boas ideias e capacidade de inovação precisam estar acompanhadas de processos, comunicação e lideranças preparadas para sustentar a expansão. “É preciso ser ambidestro: continuar inovando, mas também ter gestão, processos e disciplina para fazer o negócio funcionar”, descreveu.
Aprendizados para empreender
Ao compartilhar conselhos com os jovens empresários, Marcelo recomendou manter o foco, desenvolver bons hábitos e aprender com as dificuldades. Segundo ele, a trajetória da MadeiraMadeira foi construída com repetição, consistência e clareza sobre o que fazer e, principalmente, sobre o que evitar.
Marcelo explicou que um dos conceitos que orientam o crescimento da companhia é o flywheel, ou roda de crescimento. “Mais fornecedores atraem mais produtos, ampliam as opções para os clientes, fortalecem as vendas e estimulam a chegada de novos parceiros, alimentando um ciclo contínuo de desenvolvimento”.
Ele também defendeu a humildade para aprender e a importância de concentrar energia naquilo que está sob o próprio controle. Inspirado no conceito de Day One, associado à cultura de inovação da Amazon, reforçou que nenhuma empresa deve considerar sua trajetória concluída. “Você precisa continuar aprendendo, mantendo a curiosidade e entendendo que sempre existe espaço para melhorar”, finalizou.
















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