Michele Caputo cita ciência, tecnologia e inovação como eixos para o desenvolvimento do Estado
21 de set de 2026 | Escrito por Tobias Dietterle
O candidato a vice-governador do Paraná pelo Solidariedade, na chapa de Requião Filho (PDT), Michele Caputo, foi recebido pela Associação Comercial do Paraná (ACP), nesta segunda-feira (21.09) para um bate-papo sobre propostas para os setores econômicos.
Na abertura do encontro, o presidente da ACP, Paulo Mourão, destacou o papel da entidade na defesa do desenvolvimento econômico, dos negócios e do empreendedorismo no Paraná. E chamou a atenção para o desempenho do agronegócio e seus reflexos na economia estadual, observando que os bons resultados do setor ainda precisam se traduzir de forma mais ampla para outras atividades, especialmente o comércio.
“A ACP faz política em prol do desenvolvimento econômico, dos negócios e do empreendedorismo no Estado. O agronegócio tem sido um grande impulsionador da nossa macroeconomia e ajuda a sustentar os bons resultados do Paraná, mas precisamos fazer com que esses benefícios tenham um reflexo maior na economia como um todo, especialmente no comércio”, afirmou Mourão.
Apoio aos pequenos negócios
Durante a apresentação, Caputo afirmou ter recebido da ACP um documento elaborado pelo G7, com dez propostas voltadas ao comércio e aos serviços. Segundo ele, as medidas são viáveis e dialogam com as necessidades do setor produtivo, especialmente aquelas relacionadas à redução da burocracia.
Entre os pontos destacados estão a ampliação do governo digital e a simplificação de processos e licenças. Para Caputo, tornar a relação entre empresas e poder público mais simples é uma das medidas necessárias para estimular o empreendedorismo. Entre as propostas apresentadas, Caputo também citou o compromisso de trabalhar para zerar a inadimplência das micro e pequenas empresas.
Inovação e transição energética
A ciência, a tecnologia e a inovação foram apresentadas como eixos para o desenvolvimento do Estado. Caputo defendeu um programa de governo conectado às transformações tecnológicas e aos desafios impostos pela crise climática. E destacou o potencial do Paraná e do Brasil na exploração de minerais e terras raras, considerados estratégicos para a transição energética e para áreas como medicina e defesa.
“Precisamos construir um programa de governo alinhado com ciência, tecnologia e inovação. A transição energética vai exigir novos conhecimentos e novos recursos, e o Paraná tem potencial importante nesse processo”, disse.
O candidato observou que os incentivos concedidos pelo Estado às empresas sejam associados a contrapartidas capazes de gerar empregos e desenvolvimento regional. Em sua avaliação, benefícios fiscais, como os relacionados ao ICMS, devem considerar o retorno econômico e social proporcionado pelos investimentos.
Ambiente para os negócios
Outro ponto abordado foi a revisão dos contratos de renúncia fiscal. Caputo propôs uma análise dos contratos existentes e encaminhamento a órgãos competentes as eventuais situações que apresentem indícios de irregularidade. Segundo ele, cerca de R$ 150 bilhões teriam sido concedidos em renúncias fiscais ao longo dos últimos sete anos. “É preciso analisar o retorno que cada benefício fiscal traz para o Paraná, em empregos, investimentos e impacto social. Não se trata de ser contra o incentivo, mas de verificar se ele está cumprindo a finalidade para a qual foi concedido”, afirmou.
A segurança pública também esteve entre os temas apresentados aos empresários. Caputo afirmou que o comércio precisa contar com forças policiais preparadas, treinadas e em número suficiente para atuar de maneira eficiente no combate à criminalidade. Ele também destacou a importância da segurança jurídica e da clareza das regras para a atração de investimentos e para a atividade empresarial.
Ele sugeriu que o poder público faça investimentos na capacitação dos trabalhadores diante das mudanças no mercado de trabalho. Fiscalização e orientação precisam caminhar juntas, principalmente quando envolvem pequenos comerciantes e produtores. “Precisamos fiscalizar, mas também orientar e capacitar. A fiscalização não pode sufocar o pequeno comerciante ou produtor. O objetivo deve ser garantir qualidade e segurança, sem transformar a burocracia em um obstáculo para quem empreende”.
Caputo também observou que a expansão dos canais digitais e das redes sociais tornou mais rápida a identificação, pelos próprios consumidores, de problemas relacionados a produtos e serviços.
Saúde com integração
Com experiência anterior na gestão da saúde pública, Caputo defendeu a ampliação das parcerias entre poder público, iniciativa privada e hospitais filantrópicos, especialmente em áreas de alta complexidade, transplantes e atendimentos de urgência. “O SUS é fundamental principalmente na alta complexidade, nos transplantes e nas urgências. Precisamos fortalecer esse sistema com gestão pública, hospitais filantrópicos e participação do setor privado, cada um cumprindo o seu papel”, disse.
Entre as propostas apresentadas, Caputo citou ainda a necessidade de transparência nas filas de espera do SUS. Segundo ele, uma lei de sua autoria, aprovada quando era deputado, estabeleceu a necessidade de o cidadão ter acesso à sua posição na fila para procedimentos de saúde.
O candidato defendeu que a população tenha informações claras sobre os atendimentos e destacou a participação da sociedade como elemento importante para melhorar os resultados da saúde pública. Também relacionou educação e saúde, ressaltando que avanços educacionais produzem reflexos positivos nos indicadores de saúde.
Gestão pública com responsabilidade
Caputo também apresentou posições sobre a gestão econômica do Estado, a reforma tributária e empresas públicas. Sobre a reforma tributária, afirmou esperar que a mudança na lógica de tributação, com maior peso sobre o consumo, possa beneficiar o Paraná, considerando a força do Estado nos setores de comércio e serviços.
Na área de energia, argumentou que a “reestatizar a Copel é um processo difícil, mas uma auditoria pode ser feita em todos os contratos. Se houver alguma irregularidade ou ilegalidade, os órgãos competentes deverão tomar as providências necessárias”. Em relação à Celepar, se posicionou contra a venda da empresa, argumentando que a companhia reúne dados estratégicos e informações relacionadas à população e ao Estado.
Para Caputo, a gestão pública deve ser orientada pela responsabilidade, pela transparência e pelo diálogo com diferentes setores da sociedade. “Depois da eleição, o governo precisa governar para todos. É necessário respeitar quem pensa diferente, ouvir a sociedade e trabalhar a partir das necessidades reais da população e do desenvolvimento do Estado”, concluiu.
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