“Reforma Tributária exige decisões estratégicas sobre o futuro do Simples Nacional”, alerta Adriano Subirá em evento na ACP
29 de jul de 2026 | Escrito por Tobias Dietterle
A Reforma Tributária já começou a transformar o ambiente de negócios no Brasil e exigirá das empresas muito mais do que adequações fiscais. Esse foi o principal recado do presidente do Conselho Tributário Brasileiro (CTB), professor e consultor Adriano Pereira Subirá, durante a segunda edição do Café com Negócios – Reforma Tributária, promovido pela Associação Comercial do Paraná (ACP) em parceria com o Conselho Tributário e o Conselho das Câmaras Setoriais. Com o tema “Simples Nacional 2027: Híbrido ou Não?”, o encontro reuniu empresários para discutir os impactos da transição para o novo sistema tributário e os desafios que acompanharão esse processo.
Na ocasião, o presidente da entidade, Paulo Mourão, deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância do debate diante das mudanças em curso. “O objetivo deste encontro é ampliar o conhecimento sobre a Reforma Tributária. Enquanto as grandes empresas já vêm se preparando para esse novo cenário, muitas médias e pequenas empresas ainda têm dúvidas sobre como conduzir essa transição”, afirmou.
O coordenador do Conselho Tributário da ACP, Dalton Dalazen, reforçou que compreender os novos critérios de enquadramento e as alternativas previstas pela legislação tornou-se essencial para decisões estratégicas. “Nossa proposta é apresentar uma visão prática sobre os desafios e as oportunidades que as empresas enfrentarão durante o período de transição”, ressaltou.
Segundo Adriano Pereira Subirá, a reforma representa uma mudança estrutural na economia brasileira e deve ser encarada como uma transformação permanente no ambiente empresarial. “Não estamos falando apenas de uma reforma tributária, mas de uma reforma econômica. Ela altera preços relativos, redesenha modelos de negócios e muda a forma como as empresas negociam, formam margens e competem no mercado”, afirmou. Para o especialista, compreender esse novo cenário tornou-se indispensável para decisões estratégicas que afetarão a competitividade das empresas pelos próximos anos.
Com uma carga tributária equivalente a cerca de um terço da economia nacional, qualquer movimentação financeira ou empresarial produz reflexos fiscais significativos. As novas regras alcançarão tanto pessoas físicas quanto jurídicas, afetando mais de 200 milhões de brasileiros e cerca de 25 milhões de empresas. “O sucesso da reforma depende de sua capacidade de atender à realidade das empresas brasileiras. Não basta funcionar para os mais de 200 milhões de cidadãos; é preciso que ela seja viável para os cerca de 25 milhões de CNPJs existentes no país”.
O Simples Nacional merece atenção especial nesse processo por sua relevância na geração de empregos. O Simples Nacional responde por 53% dos empregos do Brasil. Dos 25 milhões de CNPJs, aproximadamente 23 milhões estão enquadrados no Simples Nacional ou são MEIs. “Dentro desse universo, cerca de 7,3 milhões de empresas pertencem ao Simples e não são MEIs, um grupo que exige análise cuidadosa dos impactos da reforma tributária”, destacou.
Nova fase
Durante a palestra, Subirá explicou que a principal novidade será a possibilidade de convivência entre dois modelos: o Simples Nacional tradicional, chamado de Simples Puro, e o Simples Híbrido, no qual CBS e IBS serão recolhidos separadamente, permitindo o aproveitamento de créditos tributários. A escolha, no entanto, não será igual para todos. Ela dependerá do perfil de clientes, fornecedores, custos, margem de lucro e fluxo de caixa de cada negócio.
“O Simples Puro é a única certeza que temos hoje. Já a decisão de migrar para o modelo híbrido precisa ser construída a partir da realidade de cada empresa. Não existe uma resposta única”, destacou. Uma escolha equivocada poderá comprometer a competitividade, reduzir margens e pressionar o fluxo de caixa das organizações.
Além dos impostos
Outro ponto enfatizado foi que os efeitos da reforma ultrapassam a carga tributária e alcançam toda a cadeia de negócios. Empresas precisarão compreender como seus fornecedores e clientes estarão posicionados diante das novas regras, já que a geração e o aproveitamento de créditos fiscais influenciarão diretamente preços, negociações comerciais e rentabilidade. Em alguns casos, recolher mais tributos poderá significar maior competitividade nas relações entre empresas, enquanto em outros a permanência no Simples tradicional continuará sendo a alternativa mais vantajosa.
Para Subirá, a preparação deve começar imediatamente. “A melhor decisão depende de diagnóstico, simulações e planejamento. Quem deixar para analisar apenas quando as mudanças estiverem em vigor corre o risco de perder margem, fluxo de caixa e espaço no mercado”, alertou.
Ao encerrar a palestra, o especialista reforçou que a adaptação à Reforma Tributária dependerá da combinação entre tecnologia, planejamento e capacitação das equipes. O sucesso da transição não será medido apenas pelo cumprimento das novas regras fiscais, mas pela capacidade das empresas de preservar sua competitividade, manter empregos e fortalecer a gestão em um ambiente econômico cada vez mais complexo. “A reforma já começou. O momento de estudar os cenários, envolver as equipes e tomar decisões estratégicas é agora”, concluiu.
Jornada TAX
Subirá também falou sobre a Jornada TAX, iniciativa da qual é coordenador e articulador técnico da Reforma Tributária, voltada à capacitação de empresários, gestores, contadores e profissionais da área tributária por meio da integração entre educação especializada e soluções tecnológicas.
Desenvolvida por profissionais que participaram diretamente da construção da nova legislação, a iniciativa reúne as áreas jurídica, contábil e tecnológica para oferecer uma visão prática da transição, permitindo que as empresas simulem impactos em seus modelos de negócio e definam estratégias para o novo cenário tributário.
Com atuação em todo o país, a Jornada TAX já impactou mais de 80 mil profissionais, atendeu mais de 100 empresas e realizou mais de 700 palestras e treinamentos, contribuindo para fortalecer o ecossistema tributário brasileiro e ampliar a segurança na tomada de decisões diante das mudanças da Reforma Tributária.
Ao final do encontro, os participantes receberam a Cartilha da Reforma Tributária – Impactos e Estratégias para o Comércio, elaborada para auxiliar gestores, empresários e profissionais a compreender, em linguagem acessível, as principais mudanças da reforma e seus reflexos na gestão dos negócios.
A Cartilha da Reforma Tributária também está disponível clicando na imagem abaixo:
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