Contra o silêncio e a violência – ACP abre espaço para o debate no Agosto Lilás
26 de ago de 2026 | Escrito por Tobias Dietterle
O Brasil registrou 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026. Em 2025, foram 1.571 mulheres mortas por razões de gênero, sendo que 64% dos crimes acontecem dentro de casa, 97% cometidos por homes.
“Não podemos permanecer em silêncio diante de uma realidade tão grave. A ACP tem uma capacidade de articulação muito grande e pode contribuir para levar informação para dentro das empresas, orientar as pessoas sobre como identificar situações de violência, como se posicionar e, principalmente, a quem recorrer. Falar sobre esse assunto ainda é difícil, mas o silêncio também precisa ser rompido”, disse a Vice-Coordenadora do Conselho das Câmaras Setoriais, Nastassia Iurk, que conduziu a programação do Agosto Lilás | Curitiba Violência Zero, um encontro promovido em parceria com a Prefeitura Municipal de Curitiba, com o apoio do Instituto Barão do Serro Azul (Ibasa), voltado ao diálogo, à conscientização e à construção de atitudes efetivas no combate à violência contra a mulher.
“O Agosto Lilás não é apenas uma campanha de conscientização. É um convite à reflexão e, principalmente, à ação. A violência contra a mulher é uma questão social que afeta famílias, empresas, comunidades e o desenvolvimento de toda a sociedade. Outro causa que nos motiva a trazer este tema à tona por meio da Câmara Setorial de Direito e Prevenção é o assédio nas empresas. Como empreendedores, não podemos fechar os olhos para a violência contra as mulheres, seja de qual tipo for”, disse o Presidente da ACP, Paulo Mourão.
Ele lembrou que violência não é apenas agressão física, também pode ser psicológica, moral, patrimonial ou sexual. “Ela pode se manifestar por meio do controle, da intimidação, da humilhação, do isolamento e de tantas outras formas que deixam marcas profundas, mesmo quando não são visíveis. Por isso, a informação é uma das ferramentas mais poderosas que temos. Conhecer os sinais, compreender os direitos e divulgar os canais de apoio pode fazer a diferença na vida de uma mulher que precisa de ajuda”, acrescentou.
“As empresas não existem separadas da sociedade. Somos agentes de transformação e devemos promover ambientes de respeito, inclusão, igualdade de oportunidades e acolhimento. A ACP quer estimular uma cultura em que nenhuma forma de violência seja tolerada e em que as mulheres se sintam seguras para denunciar, buscar apoio e reconstruir suas vidas”, concluiu.
A diretora da Lapidus e integrante da Diretiva RH, Regina Arns, também ressaltou a importância da articulação entre diferentes setores para enfrentar uma realidade que ainda atinge milhares de mulheres. “É um tema duro, que incomoda e que muitas vezes preferimos não olhar de frente. Mas justamente por isso precisamos falar sobre ele. Nosso propósito é conectar, influenciar e transformar realidades. E combater a violência contra a mulher exige exatamente essa capacidade de união e articulação”, citou.
O evento abordou os desafios relacionados à violência contra a mulher e a importância do envolvimento de toda a sociedade na construção de um ambiente mais seguro, consciente e acolhedor. Participaram da atividade Cristiane Rasera, chefe do Distrito de Saúde da Matriz, representando a Secretaria Municipal da Saúde; a vereadora Carlise Kwiatkowski; Albanir Fracaro, vice-presidente e coordenadora do Conselho da Mulher Empresária da ACP; e Malu Gomes, coordenadora da Câmara de Saúde da ACP.
Onde buscar ajuda?
Em Curitiba, a rede de proteção oferece diferentes portas de entrada para mulheres em situação de violência. A Casa da Mulher Brasileira, localizada no bairro Cabral, reúne serviços como atendimento psicossocial, Delegacia da Mulher, Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Defensoria Pública, Patrulha Maria da Penha, Polícia Militar, transporte, alojamento temporário e orientação profissional. A unidade funciona 24 horas por dia.
A Pousada de Maria, por sua vez, é uma iniciativa pioneira de acolhimento institucional criada em 1993 para atender mulheres em situação de risco social e vítimas de violência doméstica, acompanhadas ou não de seus filhos. O endereço é mantido em sigilo por razões de segurança. Desde sua criação, a unidade já realizou mais de 7,5 mil atendimentos, segundo a Prefeitura de Curitiba.
A rede curitibana também reúne ações de prevenção e acompanhamento, como a Patrulha Maria da Penha, que realiza monitoramento e atendimento especializado a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.
Casa da Mulher Brasileira Avenida Paraná, 870, Cabral Atendimento da Casa e da Delegacia da Mulher: 24 horas por dia, todos os dias Demais serviços: das 8h às 18h Telefone: (41) 3221-2710
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